Ora muito bem, então é isso?
Todo esse sangue,
Todo esse suor,
Toda essa dor...
É isso?
É isso a quem os otimistas chamam de paixão?
A quem os pessimistas chamam de ilusão?
Bela porcaria!
Me dêem apenas inspiração...
Só isso que peço...
Um pouco de magia...
Não as orgias homericas da provocação...
Não as garras afiadas do prazer...
Não a audácia do querer...
Não a pouca força de vontade do vicío...
Isso, é lixo!
Quero o ar, o ar para andar...
Quero o ar como meu chão...
E olhar para baixo e dizer "adeus!"
Adeus a mim, ao fácil,
Ao bruto,
Ao prático...
Voar por entre as sombras...
Fechar os olhos e sentir o frio,
Abrir os braços e sentir o vento,
Forjar o riso com mãos de barro...
Esquentar a pele com o alento...
O alento da libertação, exclusão...
Solidão!
Só nos resta isso...
Sofreguidão...
Perfumai a mão que lhe fere...
Escutai o ultraje que lhe confere...
Seja, enfim...
Seja, sujo...
Imundo...
De si.
Felipe Ribeiro
