Regina foi uma das minhas melhores fodas. Ela era uma moça alegre que tinha ataques de risos, verdadeiras explosões de gargalhadas que geralmente eram tidas logo depois que ela falava algum absurdo. De fato, nunca vi ninguém dizer tantos absurdos como a Regina. Mas isso não fazia com que ela merecesse menos consideração. No fundo a maioria de seus absurdos fazia todo o sentido se se pensado e analizado anos depois, com outra cabeça. Nada tirava aquele sorriso insano de sua boca, nada fazia com que ela tremesse, nada podia tomar conta de seus impulsos. A gente geralmente conhece uma pessoa pelo impulso que ela deixa escapar, e todo o impulso que Regina tinha era ou para o bem do próximo ou para a loucura exagerada do belo. Ela deveria ser uns 4 anos mais velha do que eu. Ela sabia das coisas, sabia muito bem o que queria e não queria muito, só ser feliz no momento presente. Isso fazia dela uma moça muito espontânea e quando algo impedia ela de ser feliz ela fazia como a água: Contornava tudo, infiltrava nas brechas, nas fendas que existiam nos problemas que possibilitavam algum escoamento para a sua ambição de ser feliz. Ela enfrentava o problema pra ser feliz, isso é o que um guerreiro faz. E assim como a água a Regina secou. Encontrei-me com ela alguns anos mais tarde, talvez uns 8 anos, não sei, e pra minha desagradável surpresa ela havia mudado. Não sorria mais com o mesmo brilho, não gritava mais de alegria e saia correndo como uma galinha sem cabeça ao encontro dos amigos, não dizia mais absurdos! De fato isso é que era um absurdo. Sua fala era seca, simples e, pior de tudo, coerente, tristemente coerente. Havia menos utopia no seu tom de voz, havia menos ambição de ser feliz no momento, naquele momento, em qualquer momento ouso dizer. Ela tinha casado, estava com dois filhos mas não parecia que isso a fazia feliz. Parece mesmo que o tédio da vida com começo meio e fim certos tinha tomado conta de seus impulsos. Fiquei triste por ela. Regina, a mulher que trocou o colorido pelo cinza, o belo pelo trivial...
Felipe Ribeiro
sexta-feira, 8 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Da nossa misera Alma.
Aqueles que vivem a sua dor...
Podem vive-la muito bem...
Se souberem o que fazer com ela;
Se souberem se comportar com ela, apesar dela.
Essa seria a solução dos nossos problemas, talvez...
Mas isso pode, com toda a certeza, trazer novos problemas...
Mas, porra...
A vida é isso...
Só somos porque somos.
Sempre ha uma maldita dor.
E isso é porque somos eternos insatisfeitos.
E o somos porque somos eternos gananciosos...
A vida depende muito de como a fazemos.
Apesar de saber bem que não temos controle nenhum sobre as consequencias.
Mas, quem sabe, sobre as escolhas?
Bom, ai se encontra outro problema...
Sempre nos esquecemos que toda escolha tem uma consequencia.
E isso nunca podemos prever...
Ora, porra, se pudessemos preve-la nunca sairiamos do lugar.
Porque a gente simplesmente age, sem pensar na maioria das vezes...
Movidos sempre pelas possibilidades, seja lá qual for.
E o mais desesperado de todos é o que joga pra acertar, querendo acertar.
Significa que quer o poder.
E a gente não tem isso...
É uma ilusão e geralmente a gente sabe disso...
Porque a gente logo perde o tesão da coisa...
E procura mudar.
Dae vira vício.
Como num maldito jogo.
A vida é um grande jogo.
Quem ganha?
Quem simplesmente é limitado.
Por saber exatamente o que quer.
A vida pra esses é simples.
Opaca.
E possivel.
A felicidade é o consolo deles...
E a perdição dos que não tem limites.
Essa mesma felicidade que queremos sem contar os custos.
Instantanea, ahistórica...
Nunca contamos os custos dela, talvez porque nos deixaria infelizes.
Vivemos desperdiçando...
O melhor e o pior de nós mesmos.
A preço de miragem...
De gozo.
De falsidade.
É por isso que gostamos de não gostar...
Gostamos de reclamar...
Gostamos de gastar nosso gosto...
Eternamente em erros...
Em descrenças que são alimentadas com toda a fé
Da crença necessária para fortalecer a nossa dor...
E esconde-la de mais ninguém...
Porque só cabe a nós sentirmos isso...
A falta eterna...
Do vazio cheio de si.
Da conformidade com a velha e inseparavel...
Miséria.
Felipe Ribeiro
Podem vive-la muito bem...
Se souberem o que fazer com ela;
Se souberem se comportar com ela, apesar dela.
Essa seria a solução dos nossos problemas, talvez...
Mas isso pode, com toda a certeza, trazer novos problemas...
Mas, porra...
A vida é isso...
Só somos porque somos.
Sempre ha uma maldita dor.
E isso é porque somos eternos insatisfeitos.
E o somos porque somos eternos gananciosos...
A vida depende muito de como a fazemos.
Apesar de saber bem que não temos controle nenhum sobre as consequencias.
Mas, quem sabe, sobre as escolhas?
Bom, ai se encontra outro problema...
Sempre nos esquecemos que toda escolha tem uma consequencia.
E isso nunca podemos prever...
Ora, porra, se pudessemos preve-la nunca sairiamos do lugar.
Porque a gente simplesmente age, sem pensar na maioria das vezes...
Movidos sempre pelas possibilidades, seja lá qual for.
E o mais desesperado de todos é o que joga pra acertar, querendo acertar.
Significa que quer o poder.
E a gente não tem isso...
É uma ilusão e geralmente a gente sabe disso...
Porque a gente logo perde o tesão da coisa...
E procura mudar.
Dae vira vício.
Como num maldito jogo.
A vida é um grande jogo.
Quem ganha?
Quem simplesmente é limitado.
Por saber exatamente o que quer.
A vida pra esses é simples.
Opaca.
E possivel.
A felicidade é o consolo deles...
E a perdição dos que não tem limites.
Essa mesma felicidade que queremos sem contar os custos.
Instantanea, ahistórica...
Nunca contamos os custos dela, talvez porque nos deixaria infelizes.
Vivemos desperdiçando...
O melhor e o pior de nós mesmos.
A preço de miragem...
De gozo.
De falsidade.
É por isso que gostamos de não gostar...
Gostamos de reclamar...
Gostamos de gastar nosso gosto...
Eternamente em erros...
Em descrenças que são alimentadas com toda a fé
Da crença necessária para fortalecer a nossa dor...
E esconde-la de mais ninguém...
Porque só cabe a nós sentirmos isso...
A falta eterna...
Do vazio cheio de si.
Da conformidade com a velha e inseparavel...
Miséria.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 28 de abril de 2009
Da indiferença da coragem.
Ser é querer... Quando não se quer não se está em si. Isso explicaria muito a maior parte do meu tempo, do seu tempo, do nosso tempo. O tal do sacrifício para uma vida feliz não faz o menor sentido se não for querido. No entanto o que mais vemos são pessoas decepcionadas, insatisfeitas e constrangidas por serem tão infiéis ao seu próprio bem. Aí se encontra um outro tipo de problema: O de não saber o que querer. Isso, em minha opinião, é processual, efeito de uma causa bastante cruel, mas que naturalizamos a tal ponto em nossas vidas que sequer pensamos que possuimos: O medo. A disciplinarização meio que forçada pela naturalidade da ignortancia de nossos anseios nos transformou paulatinamente em pessoas receosas, indiferentes às próprias vontades e projetos. O que de fato levaria uma pessoa a colocar por 8 horas seguidas por dia a sua bunda numa cadeira pra ficar ouvindo reclamações de pessoas insatisfeitas senão o medo? Medo da mudança, de sair por ai, de pensar... Preguiça? Não, apenas uma grande dose de intolerancia para com sua capacidade, apenas uma dose de indiferença à sua necessidade mais elementar, essencial... E assim vamos nos esquecendo daquilo que nunca fomos para nós mesmos, talvez só em pensamentos ou em devaneios diante da brutal realidade da escravidão dos sentimentos perversos de caráter duvidoso, egoísta e simples... Cíclico e razo, vazio e insassiável. O que te faz querer, o que me faz querer, o que nos faz querer? O que é querer senão atender a vontade da coragem que grita constantemente dentro de você, de mim, de nós? Do bom senso, da paz interna em saber que isso tudo ao qual estamos sujeitos, e pelo qual não fazemos respeitar a nós mesmos, não passa de vazio, de totalitarismo da vaidade e do orgulho?
Saibamos atender o que mais queremos. Saibamos ser isso tudo que queremos ser... E eu acredito, ainda, que o que todos querem é o próprio bem. Porém, esse mesmo bem foi desvirtuado e confundido com egocentrismo. Vivemos por que estamos em relação, caso contrário comeríamos os olhos uns dos outros, ainda que esta realidade não esteja muito longe de acontecer literalmente. Queiramos então viver corajosamente a nossa humildade em reconhecer que não somos nada se não somos tudo uns com os outros.
Felipe Ribeiro
Saibamos atender o que mais queremos. Saibamos ser isso tudo que queremos ser... E eu acredito, ainda, que o que todos querem é o próprio bem. Porém, esse mesmo bem foi desvirtuado e confundido com egocentrismo. Vivemos por que estamos em relação, caso contrário comeríamos os olhos uns dos outros, ainda que esta realidade não esteja muito longe de acontecer literalmente. Queiramos então viver corajosamente a nossa humildade em reconhecer que não somos nada se não somos tudo uns com os outros.
Felipe Ribeiro
sábado, 25 de abril de 2009
À única.
Há vida no caos...
Há paz no caos...
A paz é uma estaca no olho do furacão...
Rodeada de desesperos...
De portas fechadas...
De velocidade nauseante...
De flechas salpicando venenos...
E você tendo que se virar...
Há vida no caos.
Há paz no caos.
O que se propõe é o que importa...
Mesmo estando voando em meio aos escombros...
Mesmo estando fora de si...
O que se propõe...
Ser mais de si...
Aceitar acreditar
Se permitir
E se fincar
Na mudança.
E se findar.
Na ignorância de não ser mais do que se é...
Cada vez mais...
A todo o momento.
Felipe Ribeiro
Há paz no caos...
A paz é uma estaca no olho do furacão...
Rodeada de desesperos...
De portas fechadas...
De velocidade nauseante...
De flechas salpicando venenos...
E você tendo que se virar...
Há vida no caos.
Há paz no caos.
O que se propõe é o que importa...
Mesmo estando voando em meio aos escombros...
Mesmo estando fora de si...
O que se propõe...
Ser mais de si...
Aceitar acreditar
Se permitir
E se fincar
Na mudança.
E se findar.
Na ignorância de não ser mais do que se é...
Cada vez mais...
A todo o momento.
Felipe Ribeiro
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A jaula aberta.
Chorar pelo tempo perdido em brigas, indiferenças e afins é fácil, difícil é você aceitar o quão estúpido foi em perder tanto tempo com esse tipo de empreendimento. Esse é o tipo de coisa que aceito facilmente, mas mesmo assim, devo confessar, ainda me dói. É aquela história de catarse... Ela estava recomeçando na medida em que esvaziava mais e mais copos. Na verdade acreditava apenas estar criando justiça para comigo mesmo, algo como um tribunal em minha vida que decretasse que eu estaria condenado a beber e a ser infeliz por um prazo estipulado pela força da lembrança da cagada feita, algo do tipo que perdurasse até que me redimisse e me fizesse voltar a ser mais uma vez a mesma e velha pessoa de sempre; ou seja, aquela livre para errar e livre para aceitar seus erros como uma espécie de permissão permanente que a vida traz a todo o instante em que você se atreve a viver.
O atrevimento, ao meu ver, é libertador. As pessoas admiram os atrevidos confundindo-os com os corajosos e duros de caráter. Eu acredito que o atrevido não é corajoso, mas apenas honesto para consigo, ele apenas cumpri um compromisso firmado a base de sinceridade por e para si mesmo. A maioria das pessoas são medrosas, não almejam nada por conta própria, são infiéis a si mesmas. Sinto pena desse tipo de gente. Nunca sentirão o gosto da vida e das possibilidades escondidas em si mesmas e que nem sonham possuir, do projeto autentico que só o atrevimento pode trazer. Abdicarão o auto-conhecimento em nome da ilusória e comoda segurança. Um brinde a todos os cagões, eles me fazem sentir menos miserável e infeliz. Digo com toda a confiança que antes infeliz do que escravo da segurança ilusória que o medo teima em confundir quando chama de prudencia. Peço outra cerveja. Bebo outra garrafa. Recomeça a catarse expurgadora das lembranças que outrora foram vividas verdadeiramente com todo o atrevimento de que necessitavam para romper a barreira fria da trivialidade murcha e mortal.
A vida é assim... Valorizamo-na quando perdemo-na. Não deveria sê-lo, mas só assim para aprendermos algo na vida... Como um querido amigo meu me disse uma vez (na qual foram suas ultimas palavras dirigidas a mim depois de saber que ele morreria alguns meses depois) : Só se pode aprender por duas vias nesse mundo; pelo amor ou pela dor. A escolha que fazemos não importa, o que importa é termos humildade em aprendermos a mudar com aquilo que aprendemos...
Felipe Ribeiro.
O atrevimento, ao meu ver, é libertador. As pessoas admiram os atrevidos confundindo-os com os corajosos e duros de caráter. Eu acredito que o atrevido não é corajoso, mas apenas honesto para consigo, ele apenas cumpri um compromisso firmado a base de sinceridade por e para si mesmo. A maioria das pessoas são medrosas, não almejam nada por conta própria, são infiéis a si mesmas. Sinto pena desse tipo de gente. Nunca sentirão o gosto da vida e das possibilidades escondidas em si mesmas e que nem sonham possuir, do projeto autentico que só o atrevimento pode trazer. Abdicarão o auto-conhecimento em nome da ilusória e comoda segurança. Um brinde a todos os cagões, eles me fazem sentir menos miserável e infeliz. Digo com toda a confiança que antes infeliz do que escravo da segurança ilusória que o medo teima em confundir quando chama de prudencia. Peço outra cerveja. Bebo outra garrafa. Recomeça a catarse expurgadora das lembranças que outrora foram vividas verdadeiramente com todo o atrevimento de que necessitavam para romper a barreira fria da trivialidade murcha e mortal.
A vida é assim... Valorizamo-na quando perdemo-na. Não deveria sê-lo, mas só assim para aprendermos algo na vida... Como um querido amigo meu me disse uma vez (na qual foram suas ultimas palavras dirigidas a mim depois de saber que ele morreria alguns meses depois) : Só se pode aprender por duas vias nesse mundo; pelo amor ou pela dor. A escolha que fazemos não importa, o que importa é termos humildade em aprendermos a mudar com aquilo que aprendemos...
Felipe Ribeiro.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Ao que clamo!
Olhe então para o seu lado.
O que não lhe é permitido.
Procure imaginar apenas o que não está.
E verás o infinito.
Talvez quem sabe vislumbraria um pouco.
Das barbas do gênio.
Das lágrimas do louco.
Do conflito e do tormento.
Mas para tanto teria que sofrer.
Com a dor e o ressentimento.
Para que tanto nisso pudesse crer.
No mundo dos firmamentos.
Pareceria loucura se não fosse invisivel.
Mas a loucura está em pensar demais.
E sentir de menos.
E quanto mais gosto eu sinto.
Mais afogado eu me encontro.
Nos gestos, nas luzes...
No estrondo.
E, senão vejamos...
Partilhamos da banalidade.
E por ela nos esqueçamos...
Do quão frutífero é a vontade.
De querer, no mínimo querer...
De se ter o mínimo.
E sonhar com no máximo o impossível.
Naufragar no veio, cuspir o sal.
Partir da ausência.
E buscar o essencial.
No caos do improvável...
Ter o sonho dos bravos.
Que não somente buscam.
Mas tornam-se real.
Aquilo que não pode...
Aquilo que não pode...
Por que não poderia?
Qual a regra, a mais valia?
Por que não pode?
Qual o medo que explode?
Qual o medo que lhe implode?
Qual o fantasma que o sacode?
Qual o chicote que te orienta?
E que direciona todos os seus movimentos?
Buscai aquilo que te alimenta!
E não o porque do seu sofrimento.
Felipe Ribeiro
O que não lhe é permitido.
Procure imaginar apenas o que não está.
E verás o infinito.
Talvez quem sabe vislumbraria um pouco.
Das barbas do gênio.
Das lágrimas do louco.
Do conflito e do tormento.
Mas para tanto teria que sofrer.
Com a dor e o ressentimento.
Para que tanto nisso pudesse crer.
No mundo dos firmamentos.
Pareceria loucura se não fosse invisivel.
Mas a loucura está em pensar demais.
E sentir de menos.
E quanto mais gosto eu sinto.
Mais afogado eu me encontro.
Nos gestos, nas luzes...
No estrondo.
E, senão vejamos...
Partilhamos da banalidade.
E por ela nos esqueçamos...
Do quão frutífero é a vontade.
De querer, no mínimo querer...
De se ter o mínimo.
E sonhar com no máximo o impossível.
Naufragar no veio, cuspir o sal.
Partir da ausência.
E buscar o essencial.
No caos do improvável...
Ter o sonho dos bravos.
Que não somente buscam.
Mas tornam-se real.
Aquilo que não pode...
Aquilo que não pode...
Por que não poderia?
Qual a regra, a mais valia?
Por que não pode?
Qual o medo que explode?
Qual o medo que lhe implode?
Qual o fantasma que o sacode?
Qual o chicote que te orienta?
E que direciona todos os seus movimentos?
Buscai aquilo que te alimenta!
E não o porque do seu sofrimento.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 7 de abril de 2009
Ao que busco!
Andando na avenida...
Suando ao sol...
Buscando a vida.
Ou um poema imortal.
Sentando no banco...
Caçando a razão como um chacal...
Buscando o quando...
Ou um poema banal.
O que viesse...
O meu atiço...
O que me marcasse, quem sabe...
Apenas isso.
Mas eu era só.
E mais uma vez gritei
Mais uma vez virei pó
Mais uma vez chorei.
Penei
Amargurei
vivi
ri
sofri pra não sofrer
Por um gosto que pudesse
Fazer em mim feliz o viver.
E não o não
Do em vão
Da auto comiseração
Solidão.
Era isso... mais uma paixão.
Tola, fresca, barata... Imunda
Fétida, gasta...
Sagrada.
Profunda.
Nua.
Crua.
Insana.
Profana.
Felipe Ribeiro
Suando ao sol...
Buscando a vida.
Ou um poema imortal.
Sentando no banco...
Caçando a razão como um chacal...
Buscando o quando...
Ou um poema banal.
O que viesse...
O meu atiço...
O que me marcasse, quem sabe...
Apenas isso.
Mas eu era só.
E mais uma vez gritei
Mais uma vez virei pó
Mais uma vez chorei.
Penei
Amargurei
vivi
ri
sofri pra não sofrer
Por um gosto que pudesse
Fazer em mim feliz o viver.
E não o não
Do em vão
Da auto comiseração
Solidão.
Era isso... mais uma paixão.
Tola, fresca, barata... Imunda
Fétida, gasta...
Sagrada.
Profunda.
Nua.
Crua.
Insana.
Profana.
Felipe Ribeiro
sábado, 4 de abril de 2009
Gênios perdidos.
Certa vez, cansado de esperar com uma senha na mão o atendimento de mais uma instituição estatal falida de serviço jurídico, me sentei numa praça lotada de gente que ia e vinha e fiquei a contemplar as coisas... Você sabe, as coisas... Os pombos brigando por um pedaço de salgado jogado fora, as velhas gordas e fumantes esperando o ônibus no ponto entupido de gente, os rapazes com suas pastas e seus perfumes baratos que poderiam jurar dar alguma esperança de dignidade para aquelas almas perdidas, as mocinhas que iam e viam com seus rebolados que quase diziam desesperadamente "socorro me dêem uma alma"... Enfim, foi numa tarde dessas que pude ter a sorte de escutar uma conversa entre dois distintos cavalheiros que com bastante dignidade fumavam seus baseados tentando se livrar de uma provável ressaca. Poderia dizer que de uma forma até romantica eles estavam tratando de filosofar a respeito do mistério do mundo. Era mais ou menos assim:
-Cara... Que que é a vida ô meu!
-Vixe... Vixe!
-Cara... Que doidera!
-Vixe, vixe!
-Que doidera...
-Cara... a vida é isso ae...
-Heim?
-Viche... Nu!
-Heim?
-É isso ae ô... O ar, olha o ar... quando ce bota pra dentro ce come a vida...
-Heim?
-É... porra, o ar, é.. isso ae!
-Viche! É...
-Num é?
-Viche... é...
-A vida tá ae ô... Olha ela ae!
-Vi... Porra... ce tá me tirando!
-Tirando o que rapaize... olha ela ae!
-Hum... é... to oiando...
-Viu?
-Soah...
-Viche rapaize... veio com tudo agora!
-Heim?
-Ela vei com tudo!
-Ahhh... vai se fudê...
-Viche, viche...
De uma forma um tanto quanto satisfatória eu vi ela vindo com tudo. E aquela tarde ficou mais saborosa, de certo modo, mais saborosa. O mundo está cheio de gênios, foi a minha conclusão.
Felipe Ribeiro
-Cara... Que que é a vida ô meu!
-Vixe... Vixe!
-Cara... Que doidera!
-Vixe, vixe!
-Que doidera...
-Cara... a vida é isso ae...
-Heim?
-Viche... Nu!
-Heim?
-É isso ae ô... O ar, olha o ar... quando ce bota pra dentro ce come a vida...
-Heim?
-É... porra, o ar, é.. isso ae!
-Viche! É...
-Num é?
-Viche... é...
-A vida tá ae ô... Olha ela ae!
-Vi... Porra... ce tá me tirando!
-Tirando o que rapaize... olha ela ae!
-Hum... é... to oiando...
-Viu?
-Soah...
-Viche rapaize... veio com tudo agora!
-Heim?
-Ela vei com tudo!
-Ahhh... vai se fudê...
-Viche, viche...
De uma forma um tanto quanto satisfatória eu vi ela vindo com tudo. E aquela tarde ficou mais saborosa, de certo modo, mais saborosa. O mundo está cheio de gênios, foi a minha conclusão.
Felipe Ribeiro
domingo, 29 de março de 2009
Mulher
Eu gosto da mulher.
Das pupilas puras
Dos suspiros que vier
Suas curvas nuas
Daquele cheiro suave, dormente.
Dos lugares frios.
Dos lugares quentes.
Da voz aflita.
Da voz carente.
Da voz que grita.
Do gemido.
Da barriga suada.
Da vontade de ser amada
E de tornar tudo um perigo.
Num sorriso.
Paraíso.
Paraliso.
Precipicio.
E no deleite nos arremessamos.
Morrendo na queda.
E por mais que esperamos.
Vivemos por ela.
Para ela.
Somente nela, em suma.
Toda ela.
O jeito de andar
Respirar
Falar
beijar
gritar.
Indiferentemente.
Ai esta.
Vida de repente.
Felipe Ribeiro
Das pupilas puras
Dos suspiros que vier
Suas curvas nuas
Daquele cheiro suave, dormente.
Dos lugares frios.
Dos lugares quentes.
Da voz aflita.
Da voz carente.
Da voz que grita.
Do gemido.
Da barriga suada.
Da vontade de ser amada
E de tornar tudo um perigo.
Num sorriso.
Paraíso.
Paraliso.
Precipicio.
E no deleite nos arremessamos.
Morrendo na queda.
E por mais que esperamos.
Vivemos por ela.
Para ela.
Somente nela, em suma.
Toda ela.
O jeito de andar
Respirar
Falar
beijar
gritar.
Indiferentemente.
Ai esta.
Vida de repente.
Felipe Ribeiro
sábado, 28 de março de 2009
Como perder um amigo e ganhar a paz.
-Qual a sua opinião a respeito da atual conjuntura política dos EUA?
-Oh meu... vá se foder!
-Cara, você não lê os jornais?
-Porra... lá vamos nós de novo...
-Cara, é importante sabermos o que acontece no mundo, não? Onde está o seu engajamento político?
-Tá aqui ó... - Mostro-lhe o copo de cerveja.
-Cara... Enfim... Bom...
-Vamos lá, se esforce mais... Você sabe que pode ser melhor que isso...
-Como assim?
-Cara, aprenda a conversar com as pessoas... Isso que você está tentando comigo é papo furado, e você sabe disso. Pra que alimentar conversas vazias que não vão fazer a menor diferença para o mundo?
-Vazias? Acha que eu sou vazio?
-Mas é claro que acho.
-Com que autoridade você fala isso?
-Com a autoridade do meu saco que está prestes a explodir.
-Você é uma pessoa muito incoviniente... Você vive bebendo, vive calado, vive cagando pro que há de errado no mundo!
-Opa, com que autoridade você fala isso?
-Eu, não sei se você sabe, dou aula em um cursinho alternativo e filantrópico! Conheço as pessoas carentes que vão lá para melhorar a própria perspectiva de vida e...
-Meus parabéns. Pessoas carentes né, tá bom... Agora tenta me responder a pergunta que te fiz, não jogue na minha cara que você conhece a desgraça do mundo porque você não conhece.
-Eu tento mudar as coisas! E você, conhece a desgraça do mundo?
-Tenta o caralho! Você só tenta se enganar, só procura varrer a sua própria sujeira pra debaixo de uma aparência de bom samaritano, você é um filho da puta! Usa discursos humanísticos, bons discursos para tentar preencher a vida fútil e inútil que você vive constantemente. E já basta conhecer pessoas como você pra dizer que sim, conheço a desgraça do mundo. Você fede, cai fora da minha frente.
-O que?!
-Voce é uma anta... Cai fora da minhas vistas.
-Repete! Repete seu filho da puta!
-Vo-cê é uma an-ta...Cai fora das minhas vistas.
-Eu não vou brigar com você... Não compensa sujar minhas mãos.
-Tá bom, faça como quiser.
Passou-se um tempo, chegou outro amigo meu e começou:
-Cara... Vocês brigaram mesmo?
-Não.
-Então porque ele vive falando mal de você pelas costas?
-Porque ele se sentiu ofendido, porque ele tem espinha na bunda, porque a mãe dele é uma puta, porque o cachorro dele é um viado, porque a namorada dele o chamou pelo nome do ex... Enfim, vai saber. Todos nós avolumamos nossos problemas de uma maneira tão imbecil que o problema de um dirigente de estado pode parecer uma conversa produtiva, uma fuga necessária para liquidarmos com a nossa improdutiva maneira de nos portarmos perante nossos problemas pequenos e inúteis...
-O que?
-Nada... Pega um copo.
Felipe Ribeiro.
-Oh meu... vá se foder!
-Cara, você não lê os jornais?
-Porra... lá vamos nós de novo...
-Cara, é importante sabermos o que acontece no mundo, não? Onde está o seu engajamento político?
-Tá aqui ó... - Mostro-lhe o copo de cerveja.
-Cara... Enfim... Bom...
-Vamos lá, se esforce mais... Você sabe que pode ser melhor que isso...
-Como assim?
-Cara, aprenda a conversar com as pessoas... Isso que você está tentando comigo é papo furado, e você sabe disso. Pra que alimentar conversas vazias que não vão fazer a menor diferença para o mundo?
-Vazias? Acha que eu sou vazio?
-Mas é claro que acho.
-Com que autoridade você fala isso?
-Com a autoridade do meu saco que está prestes a explodir.
-Você é uma pessoa muito incoviniente... Você vive bebendo, vive calado, vive cagando pro que há de errado no mundo!
-Opa, com que autoridade você fala isso?
-Eu, não sei se você sabe, dou aula em um cursinho alternativo e filantrópico! Conheço as pessoas carentes que vão lá para melhorar a própria perspectiva de vida e...
-Meus parabéns. Pessoas carentes né, tá bom... Agora tenta me responder a pergunta que te fiz, não jogue na minha cara que você conhece a desgraça do mundo porque você não conhece.
-Eu tento mudar as coisas! E você, conhece a desgraça do mundo?
-Tenta o caralho! Você só tenta se enganar, só procura varrer a sua própria sujeira pra debaixo de uma aparência de bom samaritano, você é um filho da puta! Usa discursos humanísticos, bons discursos para tentar preencher a vida fútil e inútil que você vive constantemente. E já basta conhecer pessoas como você pra dizer que sim, conheço a desgraça do mundo. Você fede, cai fora da minha frente.
-O que?!
-Voce é uma anta... Cai fora da minhas vistas.
-Repete! Repete seu filho da puta!
-Vo-cê é uma an-ta...Cai fora das minhas vistas.
-Eu não vou brigar com você... Não compensa sujar minhas mãos.
-Tá bom, faça como quiser.
Passou-se um tempo, chegou outro amigo meu e começou:
-Cara... Vocês brigaram mesmo?
-Não.
-Então porque ele vive falando mal de você pelas costas?
-Porque ele se sentiu ofendido, porque ele tem espinha na bunda, porque a mãe dele é uma puta, porque o cachorro dele é um viado, porque a namorada dele o chamou pelo nome do ex... Enfim, vai saber. Todos nós avolumamos nossos problemas de uma maneira tão imbecil que o problema de um dirigente de estado pode parecer uma conversa produtiva, uma fuga necessária para liquidarmos com a nossa improdutiva maneira de nos portarmos perante nossos problemas pequenos e inúteis...
-O que?
-Nada... Pega um copo.
Felipe Ribeiro.
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