Ora muito bem... O apartamento era simples, a festa banal, a música boa e as companhias essenciais... Enquanto a música rolava e alguns amigos iam pra varanda, eu e ela ficamos sentados no chão, um de frente para o outro, cada um com seu cigarro e seu copo de vinho tinto barato. E o vinho, ahh o vinho! E os cigarros pra ambientar melhor a atmosfera daquele momento mágico de uma conversa um tanto bebâda, mas franca, com uma grande amiga.
Olhei para ela e dei de ombros, num sorriso sem dentes. Ela então começou...
-Então Frank... O que é que há?
-Olha... boa pergunta. Eu não sei.
-Quem é que sabe de alguma coisa nessa vida?
-É... porra... é... Enfim, eu acredito que cheguei a uma conclusão bastante interessante sobre tudo isso...
-Sobre tudo isso o que?
-Isso tudo... Veja, acho mesmo que podemos falar no máximo daquilo que nos condiciona, saca, da nossa condição ignorante no mundo? Mas, o que somos em si acho que é pura especulação.
-Concordo contigo Frank...
-Porque somos tudo e nada ao mesmo tempo, somos uma comparação, entende? E por sermos uma constante comparação nós mudamos constantemente...
-Exatamente! Eu acho que nunca somos, apenas estamos, apesar de sermos algo, entende?
-Sei... interessante porque enquanto somos, estamos... E enquanto estamos, somos.
-É! Logo nem nós e nem ninguém sabe de fato o que somos, tipo, sabemos que somos algo, mas nos conhecemos a partir do quando em que estamos, em diferentes momentos...
-Sim porra... É essa a nossa condição no mundo, perante ele e perante os outros e perante a nós mesmos... É disso que podemos falar sem medo, ou melhor, especular seguramente... Pode isso tudo não passar de um sonho de um maluco?
-Poxa Frank... Vivo me perguntando isso! É mais um mistério que me enlouquece...
-Porra... Pergunte isso vivendo... entende?
-Sim, é isso que tenho feito nos ultimos tempos...
-Quer mais vinho?
-Quero, enche ai...
-Então... Que bom... Sabe, viver a vida e esquecer de certas coisas servem justamente para não nos enlouquecer de vez, ou melhor, não perder o fio da meada... saca? Aquela pouca fé que temos e que de vez em quando nos sustenta...
-Exato! É por isso que tenho me sentido tão bem... Tem fogo ai?
-Perae... Toma o isqueiro...
-Sabe... eu cheguei a conclusão de que cada um fica bem ao seu modo Frank... Mesmo aquelas pessoas que vivem se punindo e blablabla, se aquele é o jeito delas, então porque não deixá-las serem assim?
-É... te entendo, mas ainda acho que deve ter um limite... Senão a pessoa se auto-obseca e fica se fodendo pensando que esta bem...
-Aham... Concordo contigo, mas digo que cada um tem seu jeito de ser feliz. Não existe um estereotipo de felicidade, apesar de usarmos muitos sem querer e sem notar...
-Felicidade... Puta que pariu... Felicidade... Que é ela pra você?
-Olha... pra mim felicidade é o que passamos a vida inteira conquistando, saca? É a falta de algo, a angústia do não ter e a alegria por conquistar. É partir pra outra Frank, é o motor da sociedade!
-Isso é insatisfação, não?
-Acho que não, porque satisfação nos deixa deprimidos, as vezes pode sim nos impulsionar e tal... mas nos impulsiona pra ir de encontro com a nossa felicidade que, na minha concepção, nunca é plena.
-É.. mesmo porque se for plena não tem mais porque ser feliz. É como a lamentação... Quando acaba a causa dela não tem mais um porque existir... vira um fantasma.
-Isso mesmo!
-Legal, legal... então a falta é o que nos impulsiona... E não pode ser plena porque falta?
-É.. penso assim. Pode não ser verdade, mas penso assim...
-Pra mim faz todo o sentido.
-Bom então... vinho por favor!
-Opa...
Nessa hora ficamos bebericando cada um o seu copo de vinho, pensando em tudo que acabávamos de dizer... A coisa fluia... Ficava claro, apesar de sabermos o quão ignorantes ainda o erámos para com qualquer coisa que fosse. Olhei pra ela e ela sugava lentamente seu cigarro, olhando pra varanda, para o céu escuro daquela madrugada... O vinho acabou e fui buscar mais. Alguém a chamou na varanda. Bebi uma garrafa inteira sozinho. A festa valeu a pena.
Felipe Ribeiro & Dinah Lorena
terça-feira, 14 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Amanda
Então tinha aquela velha vizinha que eu conhecia tão bem quanto a minha mãe. Essa vizinha, por sua vez, tinha uma filha linda que trabalhava o dia inteiro e que, por sua vez, tinha uma filhinha de seus 5 anos de idade que, por sua vez, passava o dia todo na creche ou escolinha ou hotel escola, enfim, porra, não sei o nome mais disso. A avó trabalhava de doméstica numa casa de madame longe da cidade e também passava e lavava roupas de estudantes vagabundos de república. Nesse dia em particular ela estava com mais de cinquenta quilos de roupas pra passar e por esta razão me pediu pra ir buscar sua netinha, de nome Amanda, na creche ou escolinha ou hotel escola naquele dia. Não era a primeira vez que eu buscava a menina lá naquele antro de meninos catarentos e barulhentos, de modo que eu já era conhecido pelas professoras. A Amanda, naquela época, era a única criança que eu conhecia. Não, talvez ela fosse a única criança que me conhecia de verdade, e só por isso eu gostava dela, de verdade. Bom, enfim, quando cheguei no local as crianças já estavam saindo e se juntando a seus respectivos pais.
- Vim buscar a Amanda. - Disse para uma professora gorda e com cara de cansada.
- Ah sim, um minuto. - Me respondeu com um suspiro, como se tivesse corrido uma maratona.
Aquele barulho todo insuportável de crianças rindo, gritando e algumas chorando me fez ter por alguns instantes nauseas. Aquele cheiro de giz de cera, massinha de modelar e alcool do mimiografo me fez lembrar da minha infância.
-Tio Xelipe! - Gritou a Amanda que veio correndo em minha direção arrastando sua mochila de rodas. Ela estava gripada e por isso mesmo falava tudo mais errado do que de costume. Me deu um abraço que envolveu minhas coxas e não queria mais se desgrudar.
-Olha, ela tem dever de matemática pra fazer, fala pra avó dela. - Disse a professora.
-Pode deixar.
-Cadê vovó Dinha? - Perguntou a menina.
-Tá trabalhando, agora desgruda pra eu poder te levar pra casa.
Ela me deu a mão e fomos andando. Ela andava muito devagar e a todo o momento me pedia para carrega-la no colo. A inssistência foi tanta que sugeri sentarmos na calçada um pouco pra que ela pudesse descansar. Sentamos na calçada, ela tirou as sandálias e ficou jogando pedras no meio da rua. Aproveitei pra deitar na calçada e curtir um pouco a sombra da árvore em que estávamos embaixo. Ela parou de jogar as pedras e se deitou ao meu lado e ficou lá me fitando até me deixar sem graça. Por fim ela me obrigou a perguntar:
-Que que ce tanto olha menina?
-Seu naliz. É bremeião!
Sim, claro, depois de ter passado a tarde toda bebendo uma garrafa de tinto meu nariz fica um pouco vermelho mesmo.
-Tá... E o que que tem ele assim?
-Palece um paiaço! Ce é paiaço?
Sim, ela era honesta, ainda tinha o compromisso com o que sentia, com o que via, e não fazia menssura de não compartilhar isso com os outros... Quando é que isso acaba nas pessoas?
-Ahahahahaha! Boa! Sou sim princesa...
-Então puque você não sorri?
-Porra, como assim? Não acabei de rir?
-Mas ce não faiz ri! Que cicu você é?
-O circo que eu trabalhava fechou.
-E ce já plocurou otô cicu?
-Não, ainda não.
-AATCHIN!
-Deus te crie princesa...
-Ameín!
-Já descansou né? Vamo bora então!
-Ah não! Num quelo i pra casa!- Dizia isso enquanto calçava suas sandálias.
-Que bobagem é essa agora?
-A vovó semple me pegunta se eu tenho deve di casa. Aí eu tenho que fazê!
Sim... Ela ainda tinha inocência, ainda era dura de caráter, não sabia mentir... Quando é que isso acaba nas pessoas? A avó trabalhava o tempo todo na cozinha passando as roupas, e quando a menina tinha dever pra fazer ficava muito mais fácil vigiá-la. Isso era uma tortura pra pequena que gostava de brincar o dia inteiro com seu cachorro.
-Me mostra o dever de matemática ai vai...
Ela buscou o caderno de matemática dentro da mochila de rodas e me entregou. Nada de mais, mesmo para mim que não sabia muita coisa de matemática ou de algo exato no mundo. Podia fazer aquilo tudo em 5 minutos. Foi daí que tive uma idéia.
-Vem comigo Amanda.
-Onde qui a gente vai?
Estava levando ela num pequeno armazém que tinha numa esquina perto de casa. Chegando lá me sentei na calçada e entreguei 5 reais para a Amanda gastar com o que ela quisesse lá dentro. Fiquei esperando ela do lado de fora com seu dever de matemática em mãos. Fiz todo o dever. Ela voltou com dois pacotes de salgadinho e um saco de papel lotado de balas. Me entregou um dos pacotes e eu devolvi pra ela. Sim, ela ainda tinha decência de se lembrar dos outros... Quando é que isso acaba nas pessoas?
Entreguei o caderno com o dever de matemática pra ela. Ela guardou e nem desconfiou de nada. Sim, ela era pura, quando é que isso acaba nas pessoas? Fomos embora pra sua casa e sua avó já estava maluca atrás da gente.
-Oceis que me mata! -Disse a velha aliviada por nos ver.
-Calma dona Dinha, tava dando uns agrado pra menina.
-Ela vai fica mal acostumada com isso! É por isso que ela gosta do cê, ce vive comprando essas bestera pra ela come!
-Tá bom, tá bom...
-Tem dever hoje? - A velha me perguntou.
-Tem de matemática. -Respondi.
A menina soltou um suspiro enquanto descascava uma das balas. Despedi da velha e Amanda me abraçou. Falei pra ela ir brincar com o cachorro dela. Ela disse, relutante, que tinha dever pra fazer. Quando é que o medo quebra a vontade? Não disse a ela que tinha feito o seu dever. Queria que ela tivesse uma surpresa. E teve, claro que teve, pois naquela mesma tarde, enquanto eu estava sentado na calçada esperando qualquer coisa eu a vi brincar na garagem de sua casa com o seu cachorro. Ela me olhou e me deu um tchau com as mãos. Eu dei outro e ela continuou a brincar com o cachorro.
Felipe Ribeiro
- Vim buscar a Amanda. - Disse para uma professora gorda e com cara de cansada.
- Ah sim, um minuto. - Me respondeu com um suspiro, como se tivesse corrido uma maratona.
Aquele barulho todo insuportável de crianças rindo, gritando e algumas chorando me fez ter por alguns instantes nauseas. Aquele cheiro de giz de cera, massinha de modelar e alcool do mimiografo me fez lembrar da minha infância.
-Tio Xelipe! - Gritou a Amanda que veio correndo em minha direção arrastando sua mochila de rodas. Ela estava gripada e por isso mesmo falava tudo mais errado do que de costume. Me deu um abraço que envolveu minhas coxas e não queria mais se desgrudar.
-Olha, ela tem dever de matemática pra fazer, fala pra avó dela. - Disse a professora.
-Pode deixar.
-Cadê vovó Dinha? - Perguntou a menina.
-Tá trabalhando, agora desgruda pra eu poder te levar pra casa.
Ela me deu a mão e fomos andando. Ela andava muito devagar e a todo o momento me pedia para carrega-la no colo. A inssistência foi tanta que sugeri sentarmos na calçada um pouco pra que ela pudesse descansar. Sentamos na calçada, ela tirou as sandálias e ficou jogando pedras no meio da rua. Aproveitei pra deitar na calçada e curtir um pouco a sombra da árvore em que estávamos embaixo. Ela parou de jogar as pedras e se deitou ao meu lado e ficou lá me fitando até me deixar sem graça. Por fim ela me obrigou a perguntar:
-Que que ce tanto olha menina?
-Seu naliz. É bremeião!
Sim, claro, depois de ter passado a tarde toda bebendo uma garrafa de tinto meu nariz fica um pouco vermelho mesmo.
-Tá... E o que que tem ele assim?
-Palece um paiaço! Ce é paiaço?
Sim, ela era honesta, ainda tinha o compromisso com o que sentia, com o que via, e não fazia menssura de não compartilhar isso com os outros... Quando é que isso acaba nas pessoas?
-Ahahahahaha! Boa! Sou sim princesa...
-Então puque você não sorri?
-Porra, como assim? Não acabei de rir?
-Mas ce não faiz ri! Que cicu você é?
-O circo que eu trabalhava fechou.
-E ce já plocurou otô cicu?
-Não, ainda não.
-AATCHIN!
-Deus te crie princesa...
-Ameín!
-Já descansou né? Vamo bora então!
-Ah não! Num quelo i pra casa!- Dizia isso enquanto calçava suas sandálias.
-Que bobagem é essa agora?
-A vovó semple me pegunta se eu tenho deve di casa. Aí eu tenho que fazê!
Sim... Ela ainda tinha inocência, ainda era dura de caráter, não sabia mentir... Quando é que isso acaba nas pessoas? A avó trabalhava o tempo todo na cozinha passando as roupas, e quando a menina tinha dever pra fazer ficava muito mais fácil vigiá-la. Isso era uma tortura pra pequena que gostava de brincar o dia inteiro com seu cachorro.
-Me mostra o dever de matemática ai vai...
Ela buscou o caderno de matemática dentro da mochila de rodas e me entregou. Nada de mais, mesmo para mim que não sabia muita coisa de matemática ou de algo exato no mundo. Podia fazer aquilo tudo em 5 minutos. Foi daí que tive uma idéia.
-Vem comigo Amanda.
-Onde qui a gente vai?
Estava levando ela num pequeno armazém que tinha numa esquina perto de casa. Chegando lá me sentei na calçada e entreguei 5 reais para a Amanda gastar com o que ela quisesse lá dentro. Fiquei esperando ela do lado de fora com seu dever de matemática em mãos. Fiz todo o dever. Ela voltou com dois pacotes de salgadinho e um saco de papel lotado de balas. Me entregou um dos pacotes e eu devolvi pra ela. Sim, ela ainda tinha decência de se lembrar dos outros... Quando é que isso acaba nas pessoas?
Entreguei o caderno com o dever de matemática pra ela. Ela guardou e nem desconfiou de nada. Sim, ela era pura, quando é que isso acaba nas pessoas? Fomos embora pra sua casa e sua avó já estava maluca atrás da gente.
-Oceis que me mata! -Disse a velha aliviada por nos ver.
-Calma dona Dinha, tava dando uns agrado pra menina.
-Ela vai fica mal acostumada com isso! É por isso que ela gosta do cê, ce vive comprando essas bestera pra ela come!
-Tá bom, tá bom...
-Tem dever hoje? - A velha me perguntou.
-Tem de matemática. -Respondi.
A menina soltou um suspiro enquanto descascava uma das balas. Despedi da velha e Amanda me abraçou. Falei pra ela ir brincar com o cachorro dela. Ela disse, relutante, que tinha dever pra fazer. Quando é que o medo quebra a vontade? Não disse a ela que tinha feito o seu dever. Queria que ela tivesse uma surpresa. E teve, claro que teve, pois naquela mesma tarde, enquanto eu estava sentado na calçada esperando qualquer coisa eu a vi brincar na garagem de sua casa com o seu cachorro. Ela me olhou e me deu um tchau com as mãos. Eu dei outro e ela continuou a brincar com o cachorro.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 30 de junho de 2009
Da leveza.
Há a brisa
Há o mar
E há a moça.
Mas os três em separados não são.
Não são aquele espetáculo esperado.
Há o cheiro, há o momento pausado.
E há o encontro do vento.
E a brisa ao rosto
Soprando os cabelos
Agora há a magia, há aquele gosto.
Ei-lá!
Mágicamente leve
Ei-lá!
Magia pura.
Ei-lá!
Navegando a passos lentos
Atravessando a vida
Como uma força maior que o próprio mistério
Como se levada pela Verdade
Como se soubesse de algo a mais
Como se trouxesse a imortalidade
Aos pobres mortais.
Felipe Ribeiro
Há o mar
E há a moça.
Mas os três em separados não são.
Não são aquele espetáculo esperado.
Há o cheiro, há o momento pausado.
E há o encontro do vento.
E a brisa ao rosto
Soprando os cabelos
Agora há a magia, há aquele gosto.
Ei-lá!
Mágicamente leve
Ei-lá!
Magia pura.
Ei-lá!
Navegando a passos lentos
Atravessando a vida
Como uma força maior que o próprio mistério
Como se levada pela Verdade
Como se soubesse de algo a mais
Como se trouxesse a imortalidade
Aos pobres mortais.
Felipe Ribeiro
domingo, 21 de junho de 2009
Aos que voam.
Há pessoas que tem mais vida do que as outras...
São mais leves que o ar...
Mais brilhantes que um raio...
Tão quentes como fogo...
São cintilantes, pequenas estrelas na Terra.
Dançam como uma pluma perdida ao vento...
Não se cansam de encantar...
Há pessoas que salvam o mundo sem ao menos o sabe-lo.
Há pessoas que salvam a si mesmas sem querer.
Vivem apenas todas as intensidades que lhe são permitidas...
Dançam com a vida...
Riem da morte que espera a sua vez de dançar.
São indiferentes a tristeza
Porque o tempo não deve ser preenchido com lamentações.
São pessoas essenciais...
Porque são belas
Porque são arte
Porque são amor
Porque são força
Porque são vida
Porque são leveza
Porque são alegria
Porque são gentileza
Porque são compaixão
Porque são luz...
Luz na escuridão.
Do tédio supremo
Do sim elas são o não.
E do não elas são o sim.
São flechas, pedras.
São a perfuração, o rasgo.
São as que ferem com a maciez
Do toque da magia vital.
Felipe Ribeiro
São mais leves que o ar...
Mais brilhantes que um raio...
Tão quentes como fogo...
São cintilantes, pequenas estrelas na Terra.
Dançam como uma pluma perdida ao vento...
Não se cansam de encantar...
Há pessoas que salvam o mundo sem ao menos o sabe-lo.
Há pessoas que salvam a si mesmas sem querer.
Vivem apenas todas as intensidades que lhe são permitidas...
Dançam com a vida...
Riem da morte que espera a sua vez de dançar.
São indiferentes a tristeza
Porque o tempo não deve ser preenchido com lamentações.
São pessoas essenciais...
Porque são belas
Porque são arte
Porque são amor
Porque são força
Porque são vida
Porque são leveza
Porque são alegria
Porque são gentileza
Porque são compaixão
Porque são luz...
Luz na escuridão.
Do tédio supremo
Do sim elas são o não.
E do não elas são o sim.
São flechas, pedras.
São a perfuração, o rasgo.
São as que ferem com a maciez
Do toque da magia vital.
Felipe Ribeiro
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Extremus.
Sempre quando tratamos como nunca
É quando nunca tratamos como sempre.
E alguém que trata tudo como nada,
Alguém que trata todos como nenhum,
É um alguém que vê o nada como tudo,
Alguém que vê os outros como ninguém,
É alguém, simplesmente alguém.
Sozinho.
E ninguém é alguém, sozinho.
E sozinho é alguém que não é ninguém.
E assim tratamos os nossos semelhantes.
Ao preço de nunca, nada, basta.
Nos extremos entre o nada e o nada.
Felipe Ribeiro
É quando nunca tratamos como sempre.
E alguém que trata tudo como nada,
Alguém que trata todos como nenhum,
É um alguém que vê o nada como tudo,
Alguém que vê os outros como ninguém,
É alguém, simplesmente alguém.
Sozinho.
E ninguém é alguém, sozinho.
E sozinho é alguém que não é ninguém.
E assim tratamos os nossos semelhantes.
Ao preço de nunca, nada, basta.
Nos extremos entre o nada e o nada.
Felipe Ribeiro
quarta-feira, 10 de junho de 2009
À moça mais cheia de graça que eu conheço.
Os olhos dela são como doces jaboticabas.
Grandes e flutuantes...
Em meio a pele clara...
E o seu sorriso é como uma espada vibrante...
Corta suavemente o ar, a pele, a alma, a fala...
Sua voz é tímida...
Seus passos poucos...
Sua vontade é mínima...
Seus sonhos loucos...
E em meio as tentativas há a esperança...
E em meio a vida há temperança...
E em suas convulções internas há o quanto pediria...
Para mostrar o quanto poderia, o quanto deveria...
E se sente o calor...
E se sente o valor...
E se sente o terror...
E se sente o amor...
E no fim acaba se sentindo...
Vivo...
Tão vivo que você se sente mentindo...
Para algo mais sublime que a beleza, que a vida...
Para o todo que é visto por sua própria vista...
E é ai que você busca melhorar...
É ai que você busca achar...
O seu melhor.
O seu pior.
Ou o que há.
Se há.
Que seja.
Felipe Ribeiro.
Grandes e flutuantes...
Em meio a pele clara...
E o seu sorriso é como uma espada vibrante...
Corta suavemente o ar, a pele, a alma, a fala...
Sua voz é tímida...
Seus passos poucos...
Sua vontade é mínima...
Seus sonhos loucos...
E em meio as tentativas há a esperança...
E em meio a vida há temperança...
E em suas convulções internas há o quanto pediria...
Para mostrar o quanto poderia, o quanto deveria...
E se sente o calor...
E se sente o valor...
E se sente o terror...
E se sente o amor...
E no fim acaba se sentindo...
Vivo...
Tão vivo que você se sente mentindo...
Para algo mais sublime que a beleza, que a vida...
Para o todo que é visto por sua própria vista...
E é ai que você busca melhorar...
É ai que você busca achar...
O seu melhor.
O seu pior.
Ou o que há.
Se há.
Que seja.
Felipe Ribeiro.
domingo, 7 de junho de 2009
De cada dia.
Aquelas velhas contradições...
Paixões, desejos, terrores...
Tudo isso misturado a projetos de existência...
De valores...
Fundamentais corações...
Murchos ou cheios de vida, clemência...
Vivendo mais um dia...
Esperando mais um brilho, um momento...
Indo e vindo...
Absurdos tormentos...
Bons, ruins, vazios...
E o vinho tinto ali...
Como uma val...
A iluminar o oceano tedioso do mundo...
E dar um vislumbre que seja vital...
Aos bons, aos fracos, aos fortes, aos maus.
Aos que esperam pelo próprio futuro...
Ou a apenas um milagre...
Homens e mulheres com vontade...
Só vontade...
Felipe Ribeiro
Paixões, desejos, terrores...
Tudo isso misturado a projetos de existência...
De valores...
Fundamentais corações...
Murchos ou cheios de vida, clemência...
Vivendo mais um dia...
Esperando mais um brilho, um momento...
Indo e vindo...
Absurdos tormentos...
Bons, ruins, vazios...
E o vinho tinto ali...
Como uma val...
A iluminar o oceano tedioso do mundo...
E dar um vislumbre que seja vital...
Aos bons, aos fracos, aos fortes, aos maus.
Aos que esperam pelo próprio futuro...
Ou a apenas um milagre...
Homens e mulheres com vontade...
Só vontade...
Felipe Ribeiro
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Quando se está certo.
Há algo de encantador quando se esta perdido...
Na verdade quando se esta indeciso...
Pois perdida a pessoa nunca esta quando se apaixona...
Aquela sensação, aquele impeto contido...
Aquele suor, e aquela mania maluca de achar que estamos enganados...
A todo o instante...
Não significam nada...
Pois no fundo sabemos muito bem o que queremos...
E talvez seja por isso que nos sentimos tão amedrontados...
Cuidamos de nossos passos
De nossas palavras
De nossos olhares...
Tomamos uma grande parte do tempo em suspensão...
Suspensão que nos deixa parados
Sem nenhum movimento...
Apenas o sorriso amarelo do fracasso
Da raiva interna pela falta de coragem
De seguir firme os gritos da vontade do coração...
E no instante da fagulha nos sentimos perdidos
No instante da fagulha nos sentimos desamparados...
No instante... Pequeno instante...
Ao qual todos vivemos para viver...
Nos sentimos vivos...
Vivos em dor...
Vivemos pela fagulha...
E ela dura o instante da coragem...
Da coragem de cada um...
E também do medo de cada um...
É o único momento em que se confundem essas duas forças...
E o tempo simplesmente é indiferente...
Não quer saber qual das duas prevalecerá...
E é ai que você se sente só...
Pois é daí que parte toda a sua ação...
Toda a sua responsabilidade...
Todo o seu desejo...
Todo o seu medo...
Toda a sua alma...
Felipe Ribeiro
Na verdade quando se esta indeciso...
Pois perdida a pessoa nunca esta quando se apaixona...
Aquela sensação, aquele impeto contido...
Aquele suor, e aquela mania maluca de achar que estamos enganados...
A todo o instante...
Não significam nada...
Pois no fundo sabemos muito bem o que queremos...
E talvez seja por isso que nos sentimos tão amedrontados...
Cuidamos de nossos passos
De nossas palavras
De nossos olhares...
Tomamos uma grande parte do tempo em suspensão...
Suspensão que nos deixa parados
Sem nenhum movimento...
Apenas o sorriso amarelo do fracasso
Da raiva interna pela falta de coragem
De seguir firme os gritos da vontade do coração...
E no instante da fagulha nos sentimos perdidos
No instante da fagulha nos sentimos desamparados...
No instante... Pequeno instante...
Ao qual todos vivemos para viver...
Nos sentimos vivos...
Vivos em dor...
Vivemos pela fagulha...
E ela dura o instante da coragem...
Da coragem de cada um...
E também do medo de cada um...
É o único momento em que se confundem essas duas forças...
E o tempo simplesmente é indiferente...
Não quer saber qual das duas prevalecerá...
E é ai que você se sente só...
Pois é daí que parte toda a sua ação...
Toda a sua responsabilidade...
Todo o seu desejo...
Todo o seu medo...
Toda a sua alma...
Felipe Ribeiro
terça-feira, 26 de maio de 2009
Carta ao contribuinte.
Há algum tempo eu já venho dizendo a mim mesmo o quanto me sinto sujo. Isso se reflete mais na faculdade em que estudo história ou coisa parecida, enfim...
Nessas circunstâncias eu observo algumas pessoas que se dizem estudantes, em sua maioria composta por adolescentes que falam asneiras sem o menor pudor, tão tapados que não conseguem enxergar a própria sujera em que rolam. Digo isso porque a faculdade em que estudo é federal, ou seja, ela é sustentada por dinheiro público que por sua vez é derivado de impostos que, por sua vez, vem dos bolsos de quem trabalha. E esses impostos em sua maior parte vêm dos bolsos dos pobres, porque os pobres são quem mais pagam impostos no Brasil. A classe média, o cachorrinho desmamado que vive querendo entrar na fila dos cachorrinhos que mamam nas poucas tetas que há para todos, vive reclamando dos impostos, mas os mesmos só atrapalham na compra de suas futilidades, então para o pobre é muito mais pesada a carga tributária. Enfim, neste sentido me sinto um tanto quanto perverso por estar utilizando o dinheiro dos pobres em encheção de linguiça em projetos que não vão dar retorno nenhum para a sociedade. Projetos esses que só servem para enriquecer um currículo que vai ser usado apenas e tão somente por e para mim mesmo na esperança imbecil de tentar o mestrado e mais tarde um doutorado para me livrar de dar aula em ensino público e viver de uma aparente competência acadêmica. De fato o pobre ajuda a auxiliar nessa desgraça toda ao pagar os seus impostos, ao ser honesto em manter, inconsciente do fim do seu dinheiro, essa picaretagem toda que acontece dentro das universidades federais. E como o canudo de uma universidade federal tem mais prestígio o pobre ajuda a bancar, indiretamente, a formação do idiota que vai um dia falar na sua cara: "Sabe com quem está falando?" Essa pervesidade só é possível graças ao jogo de disputas por poder acadêmico/político interno que ocorre nas universidades e que deixam cegos de ganancia algumas figuras que de fato venderam sua alma para a fama e para a glória de se passar por mais um especialista em tal assunto inútil para a sociedade em geral. Gastamos o dinheiro público em conversas e estudos vazios de sentido político, vazios de valores éticos e de comprometimento social. Claro que isso que estou dizendo é generalizante, ainda há alguns projetos que salvam e que tem esse compromisso com o social. Mas o que me deixa mais angustiado é o fato de que no curso de graduação em história, doravante um curso estigmatizado, principalmente pelo seu passado, como um curso forte e que é constante nas lutas pela justiça social, vermos tão poucos projetos com essa finalidade política. Parece mesmo que a maior parte dos novos alunos não tem idéia de seu custo social ao sentar a bunda na cadeira de uma universidade federal. O minimo que eu posso fazer aqui é pedir desculpas pelo mal uso do dinheiro dos impostos, pelo mal uso do meu tempo, pela oportunidade perdida quando poderia contribuir na mudança de alguma coisa nesse mundo injusto, pela comodidade que um canudo parece dar àqueles que estudam, pelo mal uso de todo o conhecimento acumulado durante 5 anos de estudos. Ah, e é claro, desculpem a minha hipocrisia...
Felipe Ribeiro
Nessas circunstâncias eu observo algumas pessoas que se dizem estudantes, em sua maioria composta por adolescentes que falam asneiras sem o menor pudor, tão tapados que não conseguem enxergar a própria sujera em que rolam. Digo isso porque a faculdade em que estudo é federal, ou seja, ela é sustentada por dinheiro público que por sua vez é derivado de impostos que, por sua vez, vem dos bolsos de quem trabalha. E esses impostos em sua maior parte vêm dos bolsos dos pobres, porque os pobres são quem mais pagam impostos no Brasil. A classe média, o cachorrinho desmamado que vive querendo entrar na fila dos cachorrinhos que mamam nas poucas tetas que há para todos, vive reclamando dos impostos, mas os mesmos só atrapalham na compra de suas futilidades, então para o pobre é muito mais pesada a carga tributária. Enfim, neste sentido me sinto um tanto quanto perverso por estar utilizando o dinheiro dos pobres em encheção de linguiça em projetos que não vão dar retorno nenhum para a sociedade. Projetos esses que só servem para enriquecer um currículo que vai ser usado apenas e tão somente por e para mim mesmo na esperança imbecil de tentar o mestrado e mais tarde um doutorado para me livrar de dar aula em ensino público e viver de uma aparente competência acadêmica. De fato o pobre ajuda a auxiliar nessa desgraça toda ao pagar os seus impostos, ao ser honesto em manter, inconsciente do fim do seu dinheiro, essa picaretagem toda que acontece dentro das universidades federais. E como o canudo de uma universidade federal tem mais prestígio o pobre ajuda a bancar, indiretamente, a formação do idiota que vai um dia falar na sua cara: "Sabe com quem está falando?" Essa pervesidade só é possível graças ao jogo de disputas por poder acadêmico/político interno que ocorre nas universidades e que deixam cegos de ganancia algumas figuras que de fato venderam sua alma para a fama e para a glória de se passar por mais um especialista em tal assunto inútil para a sociedade em geral. Gastamos o dinheiro público em conversas e estudos vazios de sentido político, vazios de valores éticos e de comprometimento social. Claro que isso que estou dizendo é generalizante, ainda há alguns projetos que salvam e que tem esse compromisso com o social. Mas o que me deixa mais angustiado é o fato de que no curso de graduação em história, doravante um curso estigmatizado, principalmente pelo seu passado, como um curso forte e que é constante nas lutas pela justiça social, vermos tão poucos projetos com essa finalidade política. Parece mesmo que a maior parte dos novos alunos não tem idéia de seu custo social ao sentar a bunda na cadeira de uma universidade federal. O minimo que eu posso fazer aqui é pedir desculpas pelo mal uso do dinheiro dos impostos, pelo mal uso do meu tempo, pela oportunidade perdida quando poderia contribuir na mudança de alguma coisa nesse mundo injusto, pela comodidade que um canudo parece dar àqueles que estudam, pelo mal uso de todo o conhecimento acumulado durante 5 anos de estudos. Ah, e é claro, desculpem a minha hipocrisia...
Felipe Ribeiro
domingo, 24 de maio de 2009
Conversas pra boi dormir, parte 5.
-Escuta aqui eu não quero criar caso! Você pegou ou não na bunda da minha mulher?
Olhei bem pra onde o sujeito estava apontando. Era uma loira linda, coxas grossas, firmes, seios medianos, rosto diabolicamente angelical.
-Olha... Não tive essa sorte... ainda...
-Escuta seu bosta, quero saber quem foi que pegou na bunda dela!
-Por que heim, quer que ele pegue na sua bunda também?
Nisso o pessoal começou a rir. O sujeito ficou puto. Me deu uma gravata e disse:
-Repete seu filho da puta!
Bom, não dava pra repetir, eu tava ficando roxo e sem ar. Enfim alguém colocou a mão no ombro do cara e o acalmou. Me desvencilhei dele e voltei a sentar no sofá.
-Quem foi que encostou nela!?
O cara era um babaca. A mulher estava quase estourando pelo tanto que ele inflava seu ego. Ela gostava de confusão e acho mesmo que ninguém encostou na bunda dela. O pessoal lá era de paz, não eram folgados a esse ponto. O cara só veio tirar satisfação comigo porque, penso eu, tenho cara de tarado e sou muito fraco pra tentar bater nele. Enfim, ele continuou com o interrogatório.
-Quem foi que encostou nela?!
O anfitrião tentou acalmar o cara. Não deu muito certo. Enfim o cara apontou o dedo pra mim e disse:
-Você tá fodido! Você tá fodido!
-Porque você não pergunta pra ela? - Sugeriu uma das moças que estavam na festa.
A loirona disse que não sabia, mas tinha certeza que pegaram nela assim que eu sai da cozinha e passei por detrás dela. Bom, o apartamento estava cheio de gente, poderia ser qualquer um.
Dei de ombros e continuei bebendo a cerveja. Ele e sua mulher tesuda sairam do apartamento onde estava rolando a festa. Um amigo meu me perguntou se eu estava bem, respondi que sim. Todos me olhavam como se eu estivesse a beira da morte. Era pra eu me sentir assim, um condenado? Enfim, deixei pra lá. Um relacionamento assim, movido ao vampirismo de uma mulher que se alimenta de ciumes e orgulho de ser protegida, merece toda a minha pena.
Felipe Ribeiro
Olhei bem pra onde o sujeito estava apontando. Era uma loira linda, coxas grossas, firmes, seios medianos, rosto diabolicamente angelical.
-Olha... Não tive essa sorte... ainda...
-Escuta seu bosta, quero saber quem foi que pegou na bunda dela!
-Por que heim, quer que ele pegue na sua bunda também?
Nisso o pessoal começou a rir. O sujeito ficou puto. Me deu uma gravata e disse:
-Repete seu filho da puta!
Bom, não dava pra repetir, eu tava ficando roxo e sem ar. Enfim alguém colocou a mão no ombro do cara e o acalmou. Me desvencilhei dele e voltei a sentar no sofá.
-Quem foi que encostou nela!?
O cara era um babaca. A mulher estava quase estourando pelo tanto que ele inflava seu ego. Ela gostava de confusão e acho mesmo que ninguém encostou na bunda dela. O pessoal lá era de paz, não eram folgados a esse ponto. O cara só veio tirar satisfação comigo porque, penso eu, tenho cara de tarado e sou muito fraco pra tentar bater nele. Enfim, ele continuou com o interrogatório.
-Quem foi que encostou nela?!
O anfitrião tentou acalmar o cara. Não deu muito certo. Enfim o cara apontou o dedo pra mim e disse:
-Você tá fodido! Você tá fodido!
-Porque você não pergunta pra ela? - Sugeriu uma das moças que estavam na festa.
A loirona disse que não sabia, mas tinha certeza que pegaram nela assim que eu sai da cozinha e passei por detrás dela. Bom, o apartamento estava cheio de gente, poderia ser qualquer um.
Dei de ombros e continuei bebendo a cerveja. Ele e sua mulher tesuda sairam do apartamento onde estava rolando a festa. Um amigo meu me perguntou se eu estava bem, respondi que sim. Todos me olhavam como se eu estivesse a beira da morte. Era pra eu me sentir assim, um condenado? Enfim, deixei pra lá. Um relacionamento assim, movido ao vampirismo de uma mulher que se alimenta de ciumes e orgulho de ser protegida, merece toda a minha pena.
Felipe Ribeiro
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