De repente voce ficou longe,
Muito, muito longe.
De repente me deu vontade de gritar teu nome,
Seja ele qual for,
E de fazer voce me escutar, se virar e me olhar.
Apenas me olhar, apenas o olhar, o seu olhar.
E fazer voce notar e compartilhar por um segundo,
Apenas um segundo que seja,
A mim.
Mas voce foi se distanciando, se tornando pequena,
Invisivel em meio a multidão,
Aquela multidão apressada,
De problemas, evasões,
Atropelamentos que transformavam qualquer ímpeto
Em nada mais que angustia.
Aquela angustia dos que devem continuar
Mas que querem parar, simplesmente parar,
Apenas parar...
Por um olhar.
Felipe Ribeiro
domingo, 23 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Esperança no deserto
Do que vale um não?
Se esse mesmo não não atinge,
Não aflinge,
Não compensa,
Não atormenta
E, simplesmente, não existe?
As mentiras que digo a mim mesmo são futéis,
Ignóbeis, hostis a algo que sinto plenamente.
Talvez só tentar concretizar a verdade seria o começo de seu fim.
E, por isso mesmo, muitas pessoas alimentam segredos.
Segredos que sustentam a maior parte de suas verdadeiras aparencias.
O medo da perda do respeito a si mesmo,
Da perda de algo construido por anos,
O medo, enfim, de saber que aquela verdade
Alimentada por segredos infertéis
Nada mais é do que mais um equivoco,
Um equivoco maior do que esconder a possibilidade
De reconhecer em si o que não é
E amadurecer gradualmente o que se é.
A escolha se baseia na crença... e na fé que botamos
Em nossos equivocos.
Felipe Ribeiro
Se esse mesmo não não atinge,
Não aflinge,
Não compensa,
Não atormenta
E, simplesmente, não existe?
As mentiras que digo a mim mesmo são futéis,
Ignóbeis, hostis a algo que sinto plenamente.
Talvez só tentar concretizar a verdade seria o começo de seu fim.
E, por isso mesmo, muitas pessoas alimentam segredos.
Segredos que sustentam a maior parte de suas verdadeiras aparencias.
O medo da perda do respeito a si mesmo,
Da perda de algo construido por anos,
O medo, enfim, de saber que aquela verdade
Alimentada por segredos infertéis
Nada mais é do que mais um equivoco,
Um equivoco maior do que esconder a possibilidade
De reconhecer em si o que não é
E amadurecer gradualmente o que se é.
A escolha se baseia na crença... e na fé que botamos
Em nossos equivocos.
Felipe Ribeiro
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Digestões
Força rapaz... Força!
Abra esses olhos!
Levanta da cama!
Coce a bunda!
Esfregue os olhos!
Peide!
Enfrente os primeiros Imperativos categóricos do dia
Como se fossem apenas hábitos...
Enfrente-se diante do espelho...
Como se fosse apenas hábitual.
Faça a maldita barba...
Como se fosse necessário...
Tome um banho
Como se fosse necessário...
Vamos lá.. vista uma roupa...
Não ande pelado pela casa solitária...
Alguém pode aparecer!
Como se fosse habitual...
Ou algo necessário...
Não, por favor, não vá beber pela manhã!
Tome apenas um leite, coma um pão com manteiga...
Segure a onda!
Como se fosse algo habitual... Ou necessário!
Apenas segure a onda... só isso... só é mais um dia qualquer
Como se fosse algo necessário...
Só mais um dia
Como se fosse habitual...
Viva... como se fosse necessário faze-lo todos os dias.
Segure a onda... é só um dia...
Vai ter a recompensa, vai ver!
Perae...
Estou falando comigo mesmo?
É.. é algo habitual... ou necessário... vai saber.
Felipe Ribeiro
Abra esses olhos!
Levanta da cama!
Coce a bunda!
Esfregue os olhos!
Peide!
Enfrente os primeiros Imperativos categóricos do dia
Como se fossem apenas hábitos...
Enfrente-se diante do espelho...
Como se fosse apenas hábitual.
Faça a maldita barba...
Como se fosse necessário...
Tome um banho
Como se fosse necessário...
Vamos lá.. vista uma roupa...
Não ande pelado pela casa solitária...
Alguém pode aparecer!
Como se fosse habitual...
Ou algo necessário...
Não, por favor, não vá beber pela manhã!
Tome apenas um leite, coma um pão com manteiga...
Segure a onda!
Como se fosse algo habitual... Ou necessário!
Apenas segure a onda... só isso... só é mais um dia qualquer
Como se fosse algo necessário...
Só mais um dia
Como se fosse habitual...
Viva... como se fosse necessário faze-lo todos os dias.
Segure a onda... é só um dia...
Vai ter a recompensa, vai ver!
Perae...
Estou falando comigo mesmo?
É.. é algo habitual... ou necessário... vai saber.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Ao seu Juca.
"sabe"disse-me o velho,
"a vida da gente é medida pelos problemas que superamos... Superar no caso não seria apenas enfrentar o problema.. mas, esquece-lo...
quando se é criança o maior de todos os problemas é tentar ficar de pé, quando voce fica, voce esquece como é cair e dai toda vez que voce cai voce chora... Eu acho que a gente só chora nessa idade quando a gente lembra das nossas dificuldades do passado... Ou melhor... isso vale pra qualquer idade, né? Por isso que a gente tem que esquecer...
Veja voce, mais tarde o maior problema é tentar pegar o biscoito que esta em cima da mesa alta,
logo em seguida é tentar fugir das correiadas da mãe enfurecida.
Quando se chega na juventude, o maior de todos os problemas é a timidez para com as coisas novas da vida... mulheres, paixões, medos novos, medos velhos...
Quando se chega na idade adulta o maior de todos os problemas nem chega a aparecer na hora em que assusta... o futuro! O que vou ser, como vou pagar isso, como vou criar meus filhos...
Quando se chega na minha idade, ou seja, aos 85 anos, voce pensa que já superou tudo... O que, de fato, é um ledo engano...
Na verdade voce só se acostumou com a vida... só se acostumou a se superar constantemente.. e seus medos acabam... Uma pessoa que chega na minha idade e tem medo de morrer significa que não superou alguma coisa ou algum medo em seu passado. A gente nessa idade se sente muito mais preparado para os encalços... Mas.. ora bolas... ao mesmo tempo nos sentimos tão fracos.. tão fracos..."
Fiquei sabendo que uma semana depois o velho morreu. Morreu no bar, sozinho, sentado em sua velha cadeira reservada num canto do balcão. Enfim, não sei se ele se superou mais uma vez, pela ultima vez.
Felipe Ribeiro
"a vida da gente é medida pelos problemas que superamos... Superar no caso não seria apenas enfrentar o problema.. mas, esquece-lo...
quando se é criança o maior de todos os problemas é tentar ficar de pé, quando voce fica, voce esquece como é cair e dai toda vez que voce cai voce chora... Eu acho que a gente só chora nessa idade quando a gente lembra das nossas dificuldades do passado... Ou melhor... isso vale pra qualquer idade, né? Por isso que a gente tem que esquecer...
Veja voce, mais tarde o maior problema é tentar pegar o biscoito que esta em cima da mesa alta,
logo em seguida é tentar fugir das correiadas da mãe enfurecida.
Quando se chega na juventude, o maior de todos os problemas é a timidez para com as coisas novas da vida... mulheres, paixões, medos novos, medos velhos...
Quando se chega na idade adulta o maior de todos os problemas nem chega a aparecer na hora em que assusta... o futuro! O que vou ser, como vou pagar isso, como vou criar meus filhos...
Quando se chega na minha idade, ou seja, aos 85 anos, voce pensa que já superou tudo... O que, de fato, é um ledo engano...
Na verdade voce só se acostumou com a vida... só se acostumou a se superar constantemente.. e seus medos acabam... Uma pessoa que chega na minha idade e tem medo de morrer significa que não superou alguma coisa ou algum medo em seu passado. A gente nessa idade se sente muito mais preparado para os encalços... Mas.. ora bolas... ao mesmo tempo nos sentimos tão fracos.. tão fracos..."
Fiquei sabendo que uma semana depois o velho morreu. Morreu no bar, sozinho, sentado em sua velha cadeira reservada num canto do balcão. Enfim, não sei se ele se superou mais uma vez, pela ultima vez.
Felipe Ribeiro
sábado, 1 de novembro de 2008
Os nove leões.
O celular, ao qual mais me serve como despertador do que um telefone em si, me acorda as 6 da manhã. Minha cabeça explodindo, aquele leve gosto de tristeza na boca me deixava, de certa maneira, ainda mais sonolento, como se eu me entregase completamente à prostação total, como se eu me entregasse enfim para os meus lençóis sujos de suor, como se eles fossem a unica coisa no mundo que me apoiassem e que me entenderiam. Alguns chamam a isso de preguiça, eu chamo de... chamo de... bom, porra, ainda não inventei um nome pra isso, mas não era preguiça. Era um sentimento devastador de impotencia perante o grande ditador que me comia o rabo todos os dias... o meu não, de milhões de milhões de pessoas ao redor do mundo. O que mais me doía era o fato de o despertador não parar de tocar enquanto eu, EU, não tomasse uma atitude para tanto. Desliguei o aparelho, meu primeiro leão já estava no chão. Vamos ao segundo: sair da cama. O quarto ainda estava escuro, abafado e, estranhamente, havia na escuridão uma sensação mista de tempo perdido no mundo e cheiro de mofo. Saio da cama e ascendo as luzes... Terceiro leão no chão. Olho para meu quarto e vejo a imagem fiel de mim mesmo: Roupas jogadas num canto, uma garrafa de vinho meio vazia no outro, algumas latas de cerveja amassadas que faziam um pequeno monte em cima da minha sapateira com meus sapatos empoeirados e cheirando a um chulé petrificado e velho. Aquela sensação de desespero, de sonho morto, de uma imagem construida e arranhada pela ignorancia do mundo... Quarto leão no chão. Vou até o pequeno banheiro, sujo, fedendo a urina e vomito da madrugada solitária que passei comigo mesmo... e ainda assim consegui brigar comigo mesmo e no fim de tudo nem pude desfrutar de uma bela companhia de mim mesmo... Olho para o espelho... Quinto leão no chão. Lavo meu rosto com água fria, me seco com a camisa que usei para dormir. Olho de novo para o espelho... Tento sorrir... Sexto leão no chão. Tento tomar um banho, mas só molho a cabeça. Não sei por quanto tempo fico molhando a nuca, mas foi tempo suficiente para o telefone tocar, eu atender e verificar que acabara de ser demitido... outra vez. Seco a cabeça, sento no sofá rasgado. Minha gata mia e me pede comida. Sétimo leão no chão. Como dizer a ela que acabou? Como abrir a porta de casa e jogar ela na rua? Oitavo leão no chão. A casa se silencia. Vou até a geladeira, não encontro nem mesmo uma lata. Nono leão no chão. Sento-me de novo no sofá... Espero o décimo leão aparecer para me devorar. Ele não aparece.
Felipe Ribeiro
Felipe Ribeiro
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Procura-se
Depois de desabar na cama
E sentir todo o calafrio do silencio
Todo o som da solidão
E toda decrepitude
Do calor
Do fedor
Das emoções baratas
Futéis e evazivas
De um dia inteiro de tentativa
E, só para constar, de falhas
Eis que surge naquele sujeito
Aquela sensação ambígua
De desespero e paz.
A gata surge e ronrona entre suas pernas
Sobe e deita sobre suas costas suadas e frias
Sai de cima e deita ao seu lado
Mia pedindo água
E o sujeito
Movido agora pela paz
Enche a tigela com água
E, mais uma vez, desaba por sobre a cama
E, espera
Espera como se aquilo fosse seu ar
Espera como se aquilo fosse ser a sua salvação
E, espera
Anciosamente
Num misto agora de tédio e angustia
Que, no fim das contas, sabe ele bem que o que perdurará será o tédio
Eis que o sujeito olha para a porta
E ela fica parada
Eis que o sujeito olha para o telefone
E ele não toca
Eis que o sujeito olha para si mesmo
E ele não mais se olha
Só renova
A espera insana
De acontecer alguma coisa
De belo
De útil
De mágico
De absurdo
Então ele tenta criar o mundo
Em seus pensamentos
E, para sua surpresa
O mundo ideal se contaminou
Com o absurdo do mundo real
E para a sua surpresa
Ele não se surpreende
Com o fato de que ele
Não mais consegue
Sonhar.
Felipe Ribeiro
E sentir todo o calafrio do silencio
Todo o som da solidão
E toda decrepitude
Do calor
Do fedor
Das emoções baratas
Futéis e evazivas
De um dia inteiro de tentativa
E, só para constar, de falhas
Eis que surge naquele sujeito
Aquela sensação ambígua
De desespero e paz.
A gata surge e ronrona entre suas pernas
Sobe e deita sobre suas costas suadas e frias
Sai de cima e deita ao seu lado
Mia pedindo água
E o sujeito
Movido agora pela paz
Enche a tigela com água
E, mais uma vez, desaba por sobre a cama
E, espera
Espera como se aquilo fosse seu ar
Espera como se aquilo fosse ser a sua salvação
E, espera
Anciosamente
Num misto agora de tédio e angustia
Que, no fim das contas, sabe ele bem que o que perdurará será o tédio
Eis que o sujeito olha para a porta
E ela fica parada
Eis que o sujeito olha para o telefone
E ele não toca
Eis que o sujeito olha para si mesmo
E ele não mais se olha
Só renova
A espera insana
De acontecer alguma coisa
De belo
De útil
De mágico
De absurdo
Então ele tenta criar o mundo
Em seus pensamentos
E, para sua surpresa
O mundo ideal se contaminou
Com o absurdo do mundo real
E para a sua surpresa
Ele não se surpreende
Com o fato de que ele
Não mais consegue
Sonhar.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Fome de vida.
Diante do calor escaldante da tarde de uma segunda-feira...
Diante do tédio que me enchia suportavelmente...
Diante de tudo que não há graça alguma no mundo...
Diante do artificial...
Do banal...
Do insulto...
Encontrava-me sozinho...
Absurdamente só...
No mais absurdo dos lugares...
Um ponto de onibus.
Estava sentado, olhando tudo sem ver nada...
Quando derrepente fui laçado por um cheiro...
Um cheiro suave... doce
Um cheiro que, se pudesse caminhar, seria lento...
Silencioso, sutil...
E cheio de vida e fogo...
Segui meu nariz e vi...
Esfreguei os olhos e revi...
Jurava que até aquele momento não acreditava em fadas...
Ou alguma criatura mágica do genero.
Mas... Sim, porque não? Havia magia...
E só o cheiro poderia contar por si que aquilo estava no lugar errado
Não poderia ser desse mundo... Ou daquele lugar.
Uma moça... Cabelos negros, ao estilo channel...
Cabelos lisos, finos... brilhantes de um negrume espelhado...
Um nariz fino e um pouco grande contrastava lindamente com seus imensos olhos negros cheios de lápis preto que terminava com um desenho fino no canto dos olhos...
Usava um vestido vermelho... Só disso que me lembro, realmente não prestei maior atenção a suas roupas ou indumentarias...
Se sentou ao meu lado...
Com certeza minha cara estava abobada...
Com certeza minhas pupilas estavam diltadas...
Com certeza minha boca estava entre-aberta...
Mas.. que se dane...
O mais interessante é que ela me olhou...
Me olhou! Não poderia acreditar...
Nessas horas voce se sente atingido por uma noção bastante verdadeira de existencia própria...
E ao mesmo tempo voce quer existir...
Onde, quando? Pouco importa... voce só quer existir... para aquilo tudo...
Sorriu...
Pra quem?
Pra mim? Não pude acreditar...
Se levantou e fez um sinal com a mão...
Subiu no onibus devagar...
Era ela uma serpente? Ou uma gata? Realmente não se ouvia seus passos...
Rebolava de leve... Seus quadris hipnotizavam...
E suas coxas ficaram expostas por um milesimo de segundo...
Mas fora o suficente para me lembrar para sempre...
Daquele calor
Daquele calor...
Felipe Ribeiro
Diante do tédio que me enchia suportavelmente...
Diante de tudo que não há graça alguma no mundo...
Diante do artificial...
Do banal...
Do insulto...
Encontrava-me sozinho...
Absurdamente só...
No mais absurdo dos lugares...
Um ponto de onibus.
Estava sentado, olhando tudo sem ver nada...
Quando derrepente fui laçado por um cheiro...
Um cheiro suave... doce
Um cheiro que, se pudesse caminhar, seria lento...
Silencioso, sutil...
E cheio de vida e fogo...
Segui meu nariz e vi...
Esfreguei os olhos e revi...
Jurava que até aquele momento não acreditava em fadas...
Ou alguma criatura mágica do genero.
Mas... Sim, porque não? Havia magia...
E só o cheiro poderia contar por si que aquilo estava no lugar errado
Não poderia ser desse mundo... Ou daquele lugar.
Uma moça... Cabelos negros, ao estilo channel...
Cabelos lisos, finos... brilhantes de um negrume espelhado...
Um nariz fino e um pouco grande contrastava lindamente com seus imensos olhos negros cheios de lápis preto que terminava com um desenho fino no canto dos olhos...
Usava um vestido vermelho... Só disso que me lembro, realmente não prestei maior atenção a suas roupas ou indumentarias...
Se sentou ao meu lado...
Com certeza minha cara estava abobada...
Com certeza minhas pupilas estavam diltadas...
Com certeza minha boca estava entre-aberta...
Mas.. que se dane...
O mais interessante é que ela me olhou...
Me olhou! Não poderia acreditar...
Nessas horas voce se sente atingido por uma noção bastante verdadeira de existencia própria...
E ao mesmo tempo voce quer existir...
Onde, quando? Pouco importa... voce só quer existir... para aquilo tudo...
Sorriu...
Pra quem?
Pra mim? Não pude acreditar...
Se levantou e fez um sinal com a mão...
Subiu no onibus devagar...
Era ela uma serpente? Ou uma gata? Realmente não se ouvia seus passos...
Rebolava de leve... Seus quadris hipnotizavam...
E suas coxas ficaram expostas por um milesimo de segundo...
Mas fora o suficente para me lembrar para sempre...
Daquele calor
Daquele calor...
Felipe Ribeiro
domingo, 12 de outubro de 2008
Estenda as mãos...
Eis que me deparo com a sala de aula vazia e escura.
Ora, até ai nenhuma surpresa, cheguei trinta minutos mais cedo, completamente embriagado por uma mistura de desespero, sufocamento, desinteresse, depressão e, via de regra, alcool. Como disse, até ai nenhuma surpresa, sempre me sinto assim, ou pelo menos nos ultimos 5 anos. Escorei minha cabeça na carteira e fiquei esperando o horário da aula, sentado nos fundos da sala daquela faculdade pública.
A porta da sala se abre e surge uma figura feminina na escuridão. Ascende a luz e me olha.. nos olhamos. Ela ascena com a cabeça e eu com os olhos. Ela se senta nos fundos da sala ha algumas carteiras de distancia de mim. Nem dou moral, ela é uma amiga tranquila que conversa na hora que bem lhe entende e não tem frescuras; eu também não queria papo, por isso a cena toda é um grande túmulo: eu de um lado, escorando minha cabeça na carteira; ela de outro examinando suas unhas por fazer.
Derrepente ela se levanta e chega até a mim. Se agacha ao meu lado e diz:
- Força Felipe... A linha é tênue, voce tem que ter força...
Não sei ao certo, mas tudo o que ela me disse naquela hora fez todo o sentido. Ela ainda continuou:
- Eu já vi a cara do monstro, a linha é tênue, tenha força... O monstro esta sorrindo sempre Felipe, não de essa chance a ele!
Novamente fez todo o sentido... Agradeci com os olhos a minha amiga, me levantei e matei a aula. Fui até um bar e bebi até cair. Passei a noite na rua e, de uma maneira estranha, senti toda a paz do mundo, ou pelo menos toda a paz que um homem no auge dos seus 22 anos poderia suportar.
De onde vinha aquela força? De onde? É, ela tem toda a razão... a linha é realmente tênue...
Felipe Ribeiro
Ora, até ai nenhuma surpresa, cheguei trinta minutos mais cedo, completamente embriagado por uma mistura de desespero, sufocamento, desinteresse, depressão e, via de regra, alcool. Como disse, até ai nenhuma surpresa, sempre me sinto assim, ou pelo menos nos ultimos 5 anos. Escorei minha cabeça na carteira e fiquei esperando o horário da aula, sentado nos fundos da sala daquela faculdade pública.
A porta da sala se abre e surge uma figura feminina na escuridão. Ascende a luz e me olha.. nos olhamos. Ela ascena com a cabeça e eu com os olhos. Ela se senta nos fundos da sala ha algumas carteiras de distancia de mim. Nem dou moral, ela é uma amiga tranquila que conversa na hora que bem lhe entende e não tem frescuras; eu também não queria papo, por isso a cena toda é um grande túmulo: eu de um lado, escorando minha cabeça na carteira; ela de outro examinando suas unhas por fazer.
Derrepente ela se levanta e chega até a mim. Se agacha ao meu lado e diz:
- Força Felipe... A linha é tênue, voce tem que ter força...
Não sei ao certo, mas tudo o que ela me disse naquela hora fez todo o sentido. Ela ainda continuou:
- Eu já vi a cara do monstro, a linha é tênue, tenha força... O monstro esta sorrindo sempre Felipe, não de essa chance a ele!
Novamente fez todo o sentido... Agradeci com os olhos a minha amiga, me levantei e matei a aula. Fui até um bar e bebi até cair. Passei a noite na rua e, de uma maneira estranha, senti toda a paz do mundo, ou pelo menos toda a paz que um homem no auge dos seus 22 anos poderia suportar.
De onde vinha aquela força? De onde? É, ela tem toda a razão... a linha é realmente tênue...
Felipe Ribeiro
sábado, 11 de outubro de 2008
Mãos atadas
Mais uma noite sem sentido...
Ha dias que parecem não existir...
E, no entanto, contam como um dia...
Mais um pra conta do mais próximo do ultimo dia em que voce vai viver...
É interessante notar esses dias vazios...
Simplesmente nada acontece, e voce sabe disso...
Simplesmente nada vai acontecer, e voce também o sabe.
Tediosos dias.. em que justamente voce não quer fazer nada...
E, no entanto, ao mesmo tempo, gostaria de fazer de tudo...
De tudo...
Mas.. só gostaria... O que o leva a não fazer?
Preguiça, desmotivação?
Não... Diria que esses dias vazios são sábios!
Sim, sábios! Eles nos gritam na cara o tempo todo:
"Não durma, pois a vida é isso! Não, não ouse sonhar!"
E, no entanto alguns sonham...
E juram que podem ser felizes...
E juram que tem escolhas...
E juram que escolhem...
E juram que juram algo pra si mesmos...
Juram que domam as rédeas do cachorro louco do destino...
Mas mal sabem que esse cachorro esta morto...
E o louco é quem esta tentando domar o destino inexoravel...
Ahh o que me sobra é o tédio...
E é esse tédio que sobra na maioria das pessoas...
E é contra ele que elas se degladiam...
Se esforçam para mostrar para si e para o mundo que algo há de se compensar...
E realmente há sim...
Diria que o fato de tentar se rebelar...
Se mecher, se virar...
Ahh, como eu as invejo!
Ahh, como eu sei que essa mesma inveja, ao mesmo tempo...
Não faz o menor sentido!
Felipe Ribeiro
Ha dias que parecem não existir...
E, no entanto, contam como um dia...
Mais um pra conta do mais próximo do ultimo dia em que voce vai viver...
É interessante notar esses dias vazios...
Simplesmente nada acontece, e voce sabe disso...
Simplesmente nada vai acontecer, e voce também o sabe.
Tediosos dias.. em que justamente voce não quer fazer nada...
E, no entanto, ao mesmo tempo, gostaria de fazer de tudo...
De tudo...
Mas.. só gostaria... O que o leva a não fazer?
Preguiça, desmotivação?
Não... Diria que esses dias vazios são sábios!
Sim, sábios! Eles nos gritam na cara o tempo todo:
"Não durma, pois a vida é isso! Não, não ouse sonhar!"
E, no entanto alguns sonham...
E juram que podem ser felizes...
E juram que tem escolhas...
E juram que escolhem...
E juram que juram algo pra si mesmos...
Juram que domam as rédeas do cachorro louco do destino...
Mas mal sabem que esse cachorro esta morto...
E o louco é quem esta tentando domar o destino inexoravel...
Ahh o que me sobra é o tédio...
E é esse tédio que sobra na maioria das pessoas...
E é contra ele que elas se degladiam...
Se esforçam para mostrar para si e para o mundo que algo há de se compensar...
E realmente há sim...
Diria que o fato de tentar se rebelar...
Se mecher, se virar...
Ahh, como eu as invejo!
Ahh, como eu sei que essa mesma inveja, ao mesmo tempo...
Não faz o menor sentido!
Felipe Ribeiro
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Reminiscencias...
Acontece sempre quando menos esperamos...
E, talvez por isso, sempre acontece e nunca percebemos.
È uma coisa estranha, sem nome.
Sem sabor também.. Sem cor, sem cheiro...
É o unico acontecimento que voce tem plena consciencia de que aconteceu
E é o unico que, ao mesmo tempo, voce não faz idéia do que é.
Talvez uma musica que te faça lembrar de um cheiro...
Ou um cheiro que te faça lembrar de uma musica...
Não se sabe quando, nem onde, nem o porque...
Mas é como um soco.. um soco forte.
Um soco no estomago... te deixa sem ar...
Sem palavras.
E de repente o tempo parece parar e retroceder...
E quando isso acontece tudo do agora se evapora...
E voce volta a ter 18 anos...
Volta a ter a oportunidade de ouro...
De dizer pra si mesmo: "Não faça isso!".
O problema é que voce não escuta a voce mesmo...
E, num passe de mágica toda a sua vida se torna um jogo...
De ações e reações, azares, sortes...
Imprudencias e, quem sabe, sabedoria.
E voce percebe bem que aquele soco foi voce mesmo quem o deu...
E voce percebe bem que a vida é um paradoxo sutil...
Percebe bem que ela é extremamente frágil...
Mas o é justamente porque faz laços fortes...
Tão fortes que deixam marcas...
E essas mesmas marcas se mostram...
Ao menor tom de uma canção...
Ao mais insignificante cheiro...
Ao infimo espaço de alguns segundos.
E ficam... ah, se ficam...
Para sempre,
Enquanto durar.
Felipe Ribeiro.
E, talvez por isso, sempre acontece e nunca percebemos.
È uma coisa estranha, sem nome.
Sem sabor também.. Sem cor, sem cheiro...
É o unico acontecimento que voce tem plena consciencia de que aconteceu
E é o unico que, ao mesmo tempo, voce não faz idéia do que é.
Talvez uma musica que te faça lembrar de um cheiro...
Ou um cheiro que te faça lembrar de uma musica...
Não se sabe quando, nem onde, nem o porque...
Mas é como um soco.. um soco forte.
Um soco no estomago... te deixa sem ar...
Sem palavras.
E de repente o tempo parece parar e retroceder...
E quando isso acontece tudo do agora se evapora...
E voce volta a ter 18 anos...
Volta a ter a oportunidade de ouro...
De dizer pra si mesmo: "Não faça isso!".
O problema é que voce não escuta a voce mesmo...
E, num passe de mágica toda a sua vida se torna um jogo...
De ações e reações, azares, sortes...
Imprudencias e, quem sabe, sabedoria.
E voce percebe bem que aquele soco foi voce mesmo quem o deu...
E voce percebe bem que a vida é um paradoxo sutil...
Percebe bem que ela é extremamente frágil...
Mas o é justamente porque faz laços fortes...
Tão fortes que deixam marcas...
E essas mesmas marcas se mostram...
Ao menor tom de uma canção...
Ao mais insignificante cheiro...
Ao infimo espaço de alguns segundos.
E ficam... ah, se ficam...
Para sempre,
Enquanto durar.
Felipe Ribeiro.
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