Há algum tempo eu já venho dizendo a mim mesmo o quanto me sinto sujo. Isso se reflete mais na faculdade em que estudo história ou coisa parecida, enfim...
Nessas circunstâncias eu observo algumas pessoas que se dizem estudantes, em sua maioria composta por adolescentes que falam asneiras sem o menor pudor, tão tapados que não conseguem enxergar a própria sujera em que rolam. Digo isso porque a faculdade em que estudo é federal, ou seja, ela é sustentada por dinheiro público que por sua vez é derivado de impostos que, por sua vez, vem dos bolsos de quem trabalha. E esses impostos em sua maior parte vêm dos bolsos dos pobres, porque os pobres são quem mais pagam impostos no Brasil. A classe média, o cachorrinho desmamado que vive querendo entrar na fila dos cachorrinhos que mamam nas poucas tetas que há para todos, vive reclamando dos impostos, mas os mesmos só atrapalham na compra de suas futilidades, então para o pobre é muito mais pesada a carga tributária. Enfim, neste sentido me sinto um tanto quanto perverso por estar utilizando o dinheiro dos pobres em encheção de linguiça em projetos que não vão dar retorno nenhum para a sociedade. Projetos esses que só servem para enriquecer um currículo que vai ser usado apenas e tão somente por e para mim mesmo na esperança imbecil de tentar o mestrado e mais tarde um doutorado para me livrar de dar aula em ensino público e viver de uma aparente competência acadêmica. De fato o pobre ajuda a auxiliar nessa desgraça toda ao pagar os seus impostos, ao ser honesto em manter, inconsciente do fim do seu dinheiro, essa picaretagem toda que acontece dentro das universidades federais. E como o canudo de uma universidade federal tem mais prestígio o pobre ajuda a bancar, indiretamente, a formação do idiota que vai um dia falar na sua cara: "Sabe com quem está falando?" Essa pervesidade só é possível graças ao jogo de disputas por poder acadêmico/político interno que ocorre nas universidades e que deixam cegos de ganancia algumas figuras que de fato venderam sua alma para a fama e para a glória de se passar por mais um especialista em tal assunto inútil para a sociedade em geral. Gastamos o dinheiro público em conversas e estudos vazios de sentido político, vazios de valores éticos e de comprometimento social. Claro que isso que estou dizendo é generalizante, ainda há alguns projetos que salvam e que tem esse compromisso com o social. Mas o que me deixa mais angustiado é o fato de que no curso de graduação em história, doravante um curso estigmatizado, principalmente pelo seu passado, como um curso forte e que é constante nas lutas pela justiça social, vermos tão poucos projetos com essa finalidade política. Parece mesmo que a maior parte dos novos alunos não tem idéia de seu custo social ao sentar a bunda na cadeira de uma universidade federal. O minimo que eu posso fazer aqui é pedir desculpas pelo mal uso do dinheiro dos impostos, pelo mal uso do meu tempo, pela oportunidade perdida quando poderia contribuir na mudança de alguma coisa nesse mundo injusto, pela comodidade que um canudo parece dar àqueles que estudam, pelo mal uso de todo o conhecimento acumulado durante 5 anos de estudos. Ah, e é claro, desculpem a minha hipocrisia...
Felipe Ribeiro
terça-feira, 26 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Conversas pra boi dormir, parte 5.
-Escuta aqui eu não quero criar caso! Você pegou ou não na bunda da minha mulher?
Olhei bem pra onde o sujeito estava apontando. Era uma loira linda, coxas grossas, firmes, seios medianos, rosto diabolicamente angelical.
-Olha... Não tive essa sorte... ainda...
-Escuta seu bosta, quero saber quem foi que pegou na bunda dela!
-Por que heim, quer que ele pegue na sua bunda também?
Nisso o pessoal começou a rir. O sujeito ficou puto. Me deu uma gravata e disse:
-Repete seu filho da puta!
Bom, não dava pra repetir, eu tava ficando roxo e sem ar. Enfim alguém colocou a mão no ombro do cara e o acalmou. Me desvencilhei dele e voltei a sentar no sofá.
-Quem foi que encostou nela!?
O cara era um babaca. A mulher estava quase estourando pelo tanto que ele inflava seu ego. Ela gostava de confusão e acho mesmo que ninguém encostou na bunda dela. O pessoal lá era de paz, não eram folgados a esse ponto. O cara só veio tirar satisfação comigo porque, penso eu, tenho cara de tarado e sou muito fraco pra tentar bater nele. Enfim, ele continuou com o interrogatório.
-Quem foi que encostou nela?!
O anfitrião tentou acalmar o cara. Não deu muito certo. Enfim o cara apontou o dedo pra mim e disse:
-Você tá fodido! Você tá fodido!
-Porque você não pergunta pra ela? - Sugeriu uma das moças que estavam na festa.
A loirona disse que não sabia, mas tinha certeza que pegaram nela assim que eu sai da cozinha e passei por detrás dela. Bom, o apartamento estava cheio de gente, poderia ser qualquer um.
Dei de ombros e continuei bebendo a cerveja. Ele e sua mulher tesuda sairam do apartamento onde estava rolando a festa. Um amigo meu me perguntou se eu estava bem, respondi que sim. Todos me olhavam como se eu estivesse a beira da morte. Era pra eu me sentir assim, um condenado? Enfim, deixei pra lá. Um relacionamento assim, movido ao vampirismo de uma mulher que se alimenta de ciumes e orgulho de ser protegida, merece toda a minha pena.
Felipe Ribeiro
Olhei bem pra onde o sujeito estava apontando. Era uma loira linda, coxas grossas, firmes, seios medianos, rosto diabolicamente angelical.
-Olha... Não tive essa sorte... ainda...
-Escuta seu bosta, quero saber quem foi que pegou na bunda dela!
-Por que heim, quer que ele pegue na sua bunda também?
Nisso o pessoal começou a rir. O sujeito ficou puto. Me deu uma gravata e disse:
-Repete seu filho da puta!
Bom, não dava pra repetir, eu tava ficando roxo e sem ar. Enfim alguém colocou a mão no ombro do cara e o acalmou. Me desvencilhei dele e voltei a sentar no sofá.
-Quem foi que encostou nela!?
O cara era um babaca. A mulher estava quase estourando pelo tanto que ele inflava seu ego. Ela gostava de confusão e acho mesmo que ninguém encostou na bunda dela. O pessoal lá era de paz, não eram folgados a esse ponto. O cara só veio tirar satisfação comigo porque, penso eu, tenho cara de tarado e sou muito fraco pra tentar bater nele. Enfim, ele continuou com o interrogatório.
-Quem foi que encostou nela?!
O anfitrião tentou acalmar o cara. Não deu muito certo. Enfim o cara apontou o dedo pra mim e disse:
-Você tá fodido! Você tá fodido!
-Porque você não pergunta pra ela? - Sugeriu uma das moças que estavam na festa.
A loirona disse que não sabia, mas tinha certeza que pegaram nela assim que eu sai da cozinha e passei por detrás dela. Bom, o apartamento estava cheio de gente, poderia ser qualquer um.
Dei de ombros e continuei bebendo a cerveja. Ele e sua mulher tesuda sairam do apartamento onde estava rolando a festa. Um amigo meu me perguntou se eu estava bem, respondi que sim. Todos me olhavam como se eu estivesse a beira da morte. Era pra eu me sentir assim, um condenado? Enfim, deixei pra lá. Um relacionamento assim, movido ao vampirismo de uma mulher que se alimenta de ciumes e orgulho de ser protegida, merece toda a minha pena.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 19 de maio de 2009
Enquanto o sol não aponta.
O mundo é dos melhores...
Essa é a máxima da História...
E enquanto isso há os escravos...
Do belo, do máximo...
E do estúpido.
Enquanto isso há os fiascos...
Felizes como podem, contentes com o mínimo...
Com o pouco respeito que conseguem de si mesmos...
E com a moral que vos regem...
Enquanto isso há os zombeteiros...
Verdadeiras fraudes, opacos, sujos...
Sem a menor autonomia de movimento...
O mundo foi feito para esses que tentam...
Tetam ser o que nunca poderiam ser...
O auto engano, o fulano de tal...
Doutô e o escambau...
Enquanto isso há os fiascos...
Corajosos na medida em que se manifestam...
Virtuosos na medida em que vivem...
Na medida em que engolem toda a merda...
Há os virgens, os drogados, as loucas e os esfarrapados...
Há os feios, os muito gordos, os muito magros, os tortos, os fracos...
Há aqueles que apanham só porque saem de casa...
Os que nem mais temem ser maltratados...
Os que se acostumaram com a desgraça...
Esses são os fiascos...
Mas antes eles do que as fraudes...
Os que se negam...
Os que ostentam coisas...
Como fama, familia, carreira, mulheres, carros, televisões...
Ternos, charutos, perfumes caros...
E um mega crédito...
Esses são os melhores...
Os que mamam das tetas da generosidade...
Salutares, cults, artistas, polivalentes, especialistas!
Cheirosos, extravagantes, empinados, armados de blasé...
Como diria uma grande amiga...
Prefiro ser um fiasco a uma fraude.
Então... Fica aqui minha solidariedade...
Boa sorte!
Felipe Ribeiro
Essa é a máxima da História...
E enquanto isso há os escravos...
Do belo, do máximo...
E do estúpido.
Enquanto isso há os fiascos...
Felizes como podem, contentes com o mínimo...
Com o pouco respeito que conseguem de si mesmos...
E com a moral que vos regem...
Enquanto isso há os zombeteiros...
Verdadeiras fraudes, opacos, sujos...
Sem a menor autonomia de movimento...
O mundo foi feito para esses que tentam...
Tetam ser o que nunca poderiam ser...
O auto engano, o fulano de tal...
Doutô e o escambau...
Enquanto isso há os fiascos...
Corajosos na medida em que se manifestam...
Virtuosos na medida em que vivem...
Na medida em que engolem toda a merda...
Há os virgens, os drogados, as loucas e os esfarrapados...
Há os feios, os muito gordos, os muito magros, os tortos, os fracos...
Há aqueles que apanham só porque saem de casa...
Os que nem mais temem ser maltratados...
Os que se acostumaram com a desgraça...
Esses são os fiascos...
Mas antes eles do que as fraudes...
Os que se negam...
Os que ostentam coisas...
Como fama, familia, carreira, mulheres, carros, televisões...
Ternos, charutos, perfumes caros...
E um mega crédito...
Esses são os melhores...
Os que mamam das tetas da generosidade...
Salutares, cults, artistas, polivalentes, especialistas!
Cheirosos, extravagantes, empinados, armados de blasé...
Como diria uma grande amiga...
Prefiro ser um fiasco a uma fraude.
Então... Fica aqui minha solidariedade...
Boa sorte!
Felipe Ribeiro
sábado, 9 de maio de 2009
Conversas pra boi dormir, parte 4.
Eu estava tentando imaginar algo que me deixasse melhor e provar, sem sucesso, pra mim mesmo que não sou de todo inútil. Obviamente estava esperando a tontura do vinho vagabundo de dois reais passar, sentado num ponto de ônibus às 2 da madruga quando, no outro banco do ponto, sentou-se um senhor mal trapilho que cheirava a urina. Barba um tanto quanto comprida para os dias de hoje, toda desarumada, de um amarelo quase branco. Estava usando uma sandália já ha muito desgastada e realmente ele parecia não se importar muito com isso. Então ele começou:
- Ô colega, me vê um gole!
Passei-lhe a garrafa de vinho.
- Do bão, do bão!
Respondeu depois de uma longa golada.
-Toma ae!
-Pode ficar...
-Opa, tá com nojo da minha boca?
-É claro que tô... E outra, eu já to meio tonto, não quero ficar mais a ponto de dormir na rua.
-Cê num sabe o que é fica tonto...
-É... tanto faz.
-Aê, que um toque?
-Fala.
-Vai toma no seu cú, você não sabe de nada.
-É...
-Morô?
-É... to sabendo.
Nisso eu comecei a refletir sobre a constatação daquele nobre senhor. Comecei a rir porque ele tinha razão. Ele me olhou com um sorriso perceptivel no meio daquela barba oleosa, deu uma piscada com o olho direito, e bebeu outro longo gole. Depois começou a rir, não parava mais de rir em meio a pigarros barulhentos e consistentes, olhava pra mim, apontava o dedo pra mim, e ria. Rimos juntos. Sabiamos de tudo, derrepente, sabiamos de tudo, tinhamos essa sensação. Ele escarrou o nariz muito alto, cuspiu no chão e se levantou.
-Falou vacilão!
Disse ele rindo pra mim.
-Falou maluco.
Subiu a avenida e nunca mais o vi de novo.
Felipe Ribeiro
- Ô colega, me vê um gole!
Passei-lhe a garrafa de vinho.
- Do bão, do bão!
Respondeu depois de uma longa golada.
-Toma ae!
-Pode ficar...
-Opa, tá com nojo da minha boca?
-É claro que tô... E outra, eu já to meio tonto, não quero ficar mais a ponto de dormir na rua.
-Cê num sabe o que é fica tonto...
-É... tanto faz.
-Aê, que um toque?
-Fala.
-Vai toma no seu cú, você não sabe de nada.
-É...
-Morô?
-É... to sabendo.
Nisso eu comecei a refletir sobre a constatação daquele nobre senhor. Comecei a rir porque ele tinha razão. Ele me olhou com um sorriso perceptivel no meio daquela barba oleosa, deu uma piscada com o olho direito, e bebeu outro longo gole. Depois começou a rir, não parava mais de rir em meio a pigarros barulhentos e consistentes, olhava pra mim, apontava o dedo pra mim, e ria. Rimos juntos. Sabiamos de tudo, derrepente, sabiamos de tudo, tinhamos essa sensação. Ele escarrou o nariz muito alto, cuspiu no chão e se levantou.
-Falou vacilão!
Disse ele rindo pra mim.
-Falou maluco.
Subiu a avenida e nunca mais o vi de novo.
Felipe Ribeiro
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Regina
Regina foi uma das minhas melhores fodas. Ela era uma moça alegre que tinha ataques de risos, verdadeiras explosões de gargalhadas que geralmente eram tidas logo depois que ela falava algum absurdo. De fato, nunca vi ninguém dizer tantos absurdos como a Regina. Mas isso não fazia com que ela merecesse menos consideração. No fundo a maioria de seus absurdos fazia todo o sentido se se pensado e analizado anos depois, com outra cabeça. Nada tirava aquele sorriso insano de sua boca, nada fazia com que ela tremesse, nada podia tomar conta de seus impulsos. A gente geralmente conhece uma pessoa pelo impulso que ela deixa escapar, e todo o impulso que Regina tinha era ou para o bem do próximo ou para a loucura exagerada do belo. Ela deveria ser uns 4 anos mais velha do que eu. Ela sabia das coisas, sabia muito bem o que queria e não queria muito, só ser feliz no momento presente. Isso fazia dela uma moça muito espontânea e quando algo impedia ela de ser feliz ela fazia como a água: Contornava tudo, infiltrava nas brechas, nas fendas que existiam nos problemas que possibilitavam algum escoamento para a sua ambição de ser feliz. Ela enfrentava o problema pra ser feliz, isso é o que um guerreiro faz. E assim como a água a Regina secou. Encontrei-me com ela alguns anos mais tarde, talvez uns 8 anos, não sei, e pra minha desagradável surpresa ela havia mudado. Não sorria mais com o mesmo brilho, não gritava mais de alegria e saia correndo como uma galinha sem cabeça ao encontro dos amigos, não dizia mais absurdos! De fato isso é que era um absurdo. Sua fala era seca, simples e, pior de tudo, coerente, tristemente coerente. Havia menos utopia no seu tom de voz, havia menos ambição de ser feliz no momento, naquele momento, em qualquer momento ouso dizer. Ela tinha casado, estava com dois filhos mas não parecia que isso a fazia feliz. Parece mesmo que o tédio da vida com começo meio e fim certos tinha tomado conta de seus impulsos. Fiquei triste por ela. Regina, a mulher que trocou o colorido pelo cinza, o belo pelo trivial...
Felipe Ribeiro
Felipe Ribeiro
domingo, 3 de maio de 2009
Da nossa misera Alma.
Aqueles que vivem a sua dor...
Podem vive-la muito bem...
Se souberem o que fazer com ela;
Se souberem se comportar com ela, apesar dela.
Essa seria a solução dos nossos problemas, talvez...
Mas isso pode, com toda a certeza, trazer novos problemas...
Mas, porra...
A vida é isso...
Só somos porque somos.
Sempre ha uma maldita dor.
E isso é porque somos eternos insatisfeitos.
E o somos porque somos eternos gananciosos...
A vida depende muito de como a fazemos.
Apesar de saber bem que não temos controle nenhum sobre as consequencias.
Mas, quem sabe, sobre as escolhas?
Bom, ai se encontra outro problema...
Sempre nos esquecemos que toda escolha tem uma consequencia.
E isso nunca podemos prever...
Ora, porra, se pudessemos preve-la nunca sairiamos do lugar.
Porque a gente simplesmente age, sem pensar na maioria das vezes...
Movidos sempre pelas possibilidades, seja lá qual for.
E o mais desesperado de todos é o que joga pra acertar, querendo acertar.
Significa que quer o poder.
E a gente não tem isso...
É uma ilusão e geralmente a gente sabe disso...
Porque a gente logo perde o tesão da coisa...
E procura mudar.
Dae vira vício.
Como num maldito jogo.
A vida é um grande jogo.
Quem ganha?
Quem simplesmente é limitado.
Por saber exatamente o que quer.
A vida pra esses é simples.
Opaca.
E possivel.
A felicidade é o consolo deles...
E a perdição dos que não tem limites.
Essa mesma felicidade que queremos sem contar os custos.
Instantanea, ahistórica...
Nunca contamos os custos dela, talvez porque nos deixaria infelizes.
Vivemos desperdiçando...
O melhor e o pior de nós mesmos.
A preço de miragem...
De gozo.
De falsidade.
É por isso que gostamos de não gostar...
Gostamos de reclamar...
Gostamos de gastar nosso gosto...
Eternamente em erros...
Em descrenças que são alimentadas com toda a fé
Da crença necessária para fortalecer a nossa dor...
E esconde-la de mais ninguém...
Porque só cabe a nós sentirmos isso...
A falta eterna...
Do vazio cheio de si.
Da conformidade com a velha e inseparavel...
Miséria.
Felipe Ribeiro
Podem vive-la muito bem...
Se souberem o que fazer com ela;
Se souberem se comportar com ela, apesar dela.
Essa seria a solução dos nossos problemas, talvez...
Mas isso pode, com toda a certeza, trazer novos problemas...
Mas, porra...
A vida é isso...
Só somos porque somos.
Sempre ha uma maldita dor.
E isso é porque somos eternos insatisfeitos.
E o somos porque somos eternos gananciosos...
A vida depende muito de como a fazemos.
Apesar de saber bem que não temos controle nenhum sobre as consequencias.
Mas, quem sabe, sobre as escolhas?
Bom, ai se encontra outro problema...
Sempre nos esquecemos que toda escolha tem uma consequencia.
E isso nunca podemos prever...
Ora, porra, se pudessemos preve-la nunca sairiamos do lugar.
Porque a gente simplesmente age, sem pensar na maioria das vezes...
Movidos sempre pelas possibilidades, seja lá qual for.
E o mais desesperado de todos é o que joga pra acertar, querendo acertar.
Significa que quer o poder.
E a gente não tem isso...
É uma ilusão e geralmente a gente sabe disso...
Porque a gente logo perde o tesão da coisa...
E procura mudar.
Dae vira vício.
Como num maldito jogo.
A vida é um grande jogo.
Quem ganha?
Quem simplesmente é limitado.
Por saber exatamente o que quer.
A vida pra esses é simples.
Opaca.
E possivel.
A felicidade é o consolo deles...
E a perdição dos que não tem limites.
Essa mesma felicidade que queremos sem contar os custos.
Instantanea, ahistórica...
Nunca contamos os custos dela, talvez porque nos deixaria infelizes.
Vivemos desperdiçando...
O melhor e o pior de nós mesmos.
A preço de miragem...
De gozo.
De falsidade.
É por isso que gostamos de não gostar...
Gostamos de reclamar...
Gostamos de gastar nosso gosto...
Eternamente em erros...
Em descrenças que são alimentadas com toda a fé
Da crença necessária para fortalecer a nossa dor...
E esconde-la de mais ninguém...
Porque só cabe a nós sentirmos isso...
A falta eterna...
Do vazio cheio de si.
Da conformidade com a velha e inseparavel...
Miséria.
Felipe Ribeiro
terça-feira, 28 de abril de 2009
Da indiferença da coragem.
Ser é querer... Quando não se quer não se está em si. Isso explicaria muito a maior parte do meu tempo, do seu tempo, do nosso tempo. O tal do sacrifício para uma vida feliz não faz o menor sentido se não for querido. No entanto o que mais vemos são pessoas decepcionadas, insatisfeitas e constrangidas por serem tão infiéis ao seu próprio bem. Aí se encontra um outro tipo de problema: O de não saber o que querer. Isso, em minha opinião, é processual, efeito de uma causa bastante cruel, mas que naturalizamos a tal ponto em nossas vidas que sequer pensamos que possuimos: O medo. A disciplinarização meio que forçada pela naturalidade da ignortancia de nossos anseios nos transformou paulatinamente em pessoas receosas, indiferentes às próprias vontades e projetos. O que de fato levaria uma pessoa a colocar por 8 horas seguidas por dia a sua bunda numa cadeira pra ficar ouvindo reclamações de pessoas insatisfeitas senão o medo? Medo da mudança, de sair por ai, de pensar... Preguiça? Não, apenas uma grande dose de intolerancia para com sua capacidade, apenas uma dose de indiferença à sua necessidade mais elementar, essencial... E assim vamos nos esquecendo daquilo que nunca fomos para nós mesmos, talvez só em pensamentos ou em devaneios diante da brutal realidade da escravidão dos sentimentos perversos de caráter duvidoso, egoísta e simples... Cíclico e razo, vazio e insassiável. O que te faz querer, o que me faz querer, o que nos faz querer? O que é querer senão atender a vontade da coragem que grita constantemente dentro de você, de mim, de nós? Do bom senso, da paz interna em saber que isso tudo ao qual estamos sujeitos, e pelo qual não fazemos respeitar a nós mesmos, não passa de vazio, de totalitarismo da vaidade e do orgulho?
Saibamos atender o que mais queremos. Saibamos ser isso tudo que queremos ser... E eu acredito, ainda, que o que todos querem é o próprio bem. Porém, esse mesmo bem foi desvirtuado e confundido com egocentrismo. Vivemos por que estamos em relação, caso contrário comeríamos os olhos uns dos outros, ainda que esta realidade não esteja muito longe de acontecer literalmente. Queiramos então viver corajosamente a nossa humildade em reconhecer que não somos nada se não somos tudo uns com os outros.
Felipe Ribeiro
Saibamos atender o que mais queremos. Saibamos ser isso tudo que queremos ser... E eu acredito, ainda, que o que todos querem é o próprio bem. Porém, esse mesmo bem foi desvirtuado e confundido com egocentrismo. Vivemos por que estamos em relação, caso contrário comeríamos os olhos uns dos outros, ainda que esta realidade não esteja muito longe de acontecer literalmente. Queiramos então viver corajosamente a nossa humildade em reconhecer que não somos nada se não somos tudo uns com os outros.
Felipe Ribeiro
sábado, 25 de abril de 2009
À única.
Há vida no caos...
Há paz no caos...
A paz é uma estaca no olho do furacão...
Rodeada de desesperos...
De portas fechadas...
De velocidade nauseante...
De flechas salpicando venenos...
E você tendo que se virar...
Há vida no caos.
Há paz no caos.
O que se propõe é o que importa...
Mesmo estando voando em meio aos escombros...
Mesmo estando fora de si...
O que se propõe...
Ser mais de si...
Aceitar acreditar
Se permitir
E se fincar
Na mudança.
E se findar.
Na ignorância de não ser mais do que se é...
Cada vez mais...
A todo o momento.
Felipe Ribeiro
Há paz no caos...
A paz é uma estaca no olho do furacão...
Rodeada de desesperos...
De portas fechadas...
De velocidade nauseante...
De flechas salpicando venenos...
E você tendo que se virar...
Há vida no caos.
Há paz no caos.
O que se propõe é o que importa...
Mesmo estando voando em meio aos escombros...
Mesmo estando fora de si...
O que se propõe...
Ser mais de si...
Aceitar acreditar
Se permitir
E se fincar
Na mudança.
E se findar.
Na ignorância de não ser mais do que se é...
Cada vez mais...
A todo o momento.
Felipe Ribeiro
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A jaula aberta.
Chorar pelo tempo perdido em brigas, indiferenças e afins é fácil, difícil é você aceitar o quão estúpido foi em perder tanto tempo com esse tipo de empreendimento. Esse é o tipo de coisa que aceito facilmente, mas mesmo assim, devo confessar, ainda me dói. É aquela história de catarse... Ela estava recomeçando na medida em que esvaziava mais e mais copos. Na verdade acreditava apenas estar criando justiça para comigo mesmo, algo como um tribunal em minha vida que decretasse que eu estaria condenado a beber e a ser infeliz por um prazo estipulado pela força da lembrança da cagada feita, algo do tipo que perdurasse até que me redimisse e me fizesse voltar a ser mais uma vez a mesma e velha pessoa de sempre; ou seja, aquela livre para errar e livre para aceitar seus erros como uma espécie de permissão permanente que a vida traz a todo o instante em que você se atreve a viver.
O atrevimento, ao meu ver, é libertador. As pessoas admiram os atrevidos confundindo-os com os corajosos e duros de caráter. Eu acredito que o atrevido não é corajoso, mas apenas honesto para consigo, ele apenas cumpri um compromisso firmado a base de sinceridade por e para si mesmo. A maioria das pessoas são medrosas, não almejam nada por conta própria, são infiéis a si mesmas. Sinto pena desse tipo de gente. Nunca sentirão o gosto da vida e das possibilidades escondidas em si mesmas e que nem sonham possuir, do projeto autentico que só o atrevimento pode trazer. Abdicarão o auto-conhecimento em nome da ilusória e comoda segurança. Um brinde a todos os cagões, eles me fazem sentir menos miserável e infeliz. Digo com toda a confiança que antes infeliz do que escravo da segurança ilusória que o medo teima em confundir quando chama de prudencia. Peço outra cerveja. Bebo outra garrafa. Recomeça a catarse expurgadora das lembranças que outrora foram vividas verdadeiramente com todo o atrevimento de que necessitavam para romper a barreira fria da trivialidade murcha e mortal.
A vida é assim... Valorizamo-na quando perdemo-na. Não deveria sê-lo, mas só assim para aprendermos algo na vida... Como um querido amigo meu me disse uma vez (na qual foram suas ultimas palavras dirigidas a mim depois de saber que ele morreria alguns meses depois) : Só se pode aprender por duas vias nesse mundo; pelo amor ou pela dor. A escolha que fazemos não importa, o que importa é termos humildade em aprendermos a mudar com aquilo que aprendemos...
Felipe Ribeiro.
O atrevimento, ao meu ver, é libertador. As pessoas admiram os atrevidos confundindo-os com os corajosos e duros de caráter. Eu acredito que o atrevido não é corajoso, mas apenas honesto para consigo, ele apenas cumpri um compromisso firmado a base de sinceridade por e para si mesmo. A maioria das pessoas são medrosas, não almejam nada por conta própria, são infiéis a si mesmas. Sinto pena desse tipo de gente. Nunca sentirão o gosto da vida e das possibilidades escondidas em si mesmas e que nem sonham possuir, do projeto autentico que só o atrevimento pode trazer. Abdicarão o auto-conhecimento em nome da ilusória e comoda segurança. Um brinde a todos os cagões, eles me fazem sentir menos miserável e infeliz. Digo com toda a confiança que antes infeliz do que escravo da segurança ilusória que o medo teima em confundir quando chama de prudencia. Peço outra cerveja. Bebo outra garrafa. Recomeça a catarse expurgadora das lembranças que outrora foram vividas verdadeiramente com todo o atrevimento de que necessitavam para romper a barreira fria da trivialidade murcha e mortal.
A vida é assim... Valorizamo-na quando perdemo-na. Não deveria sê-lo, mas só assim para aprendermos algo na vida... Como um querido amigo meu me disse uma vez (na qual foram suas ultimas palavras dirigidas a mim depois de saber que ele morreria alguns meses depois) : Só se pode aprender por duas vias nesse mundo; pelo amor ou pela dor. A escolha que fazemos não importa, o que importa é termos humildade em aprendermos a mudar com aquilo que aprendemos...
Felipe Ribeiro.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Ao que clamo!
Olhe então para o seu lado.
O que não lhe é permitido.
Procure imaginar apenas o que não está.
E verás o infinito.
Talvez quem sabe vislumbraria um pouco.
Das barbas do gênio.
Das lágrimas do louco.
Do conflito e do tormento.
Mas para tanto teria que sofrer.
Com a dor e o ressentimento.
Para que tanto nisso pudesse crer.
No mundo dos firmamentos.
Pareceria loucura se não fosse invisivel.
Mas a loucura está em pensar demais.
E sentir de menos.
E quanto mais gosto eu sinto.
Mais afogado eu me encontro.
Nos gestos, nas luzes...
No estrondo.
E, senão vejamos...
Partilhamos da banalidade.
E por ela nos esqueçamos...
Do quão frutífero é a vontade.
De querer, no mínimo querer...
De se ter o mínimo.
E sonhar com no máximo o impossível.
Naufragar no veio, cuspir o sal.
Partir da ausência.
E buscar o essencial.
No caos do improvável...
Ter o sonho dos bravos.
Que não somente buscam.
Mas tornam-se real.
Aquilo que não pode...
Aquilo que não pode...
Por que não poderia?
Qual a regra, a mais valia?
Por que não pode?
Qual o medo que explode?
Qual o medo que lhe implode?
Qual o fantasma que o sacode?
Qual o chicote que te orienta?
E que direciona todos os seus movimentos?
Buscai aquilo que te alimenta!
E não o porque do seu sofrimento.
Felipe Ribeiro
O que não lhe é permitido.
Procure imaginar apenas o que não está.
E verás o infinito.
Talvez quem sabe vislumbraria um pouco.
Das barbas do gênio.
Das lágrimas do louco.
Do conflito e do tormento.
Mas para tanto teria que sofrer.
Com a dor e o ressentimento.
Para que tanto nisso pudesse crer.
No mundo dos firmamentos.
Pareceria loucura se não fosse invisivel.
Mas a loucura está em pensar demais.
E sentir de menos.
E quanto mais gosto eu sinto.
Mais afogado eu me encontro.
Nos gestos, nas luzes...
No estrondo.
E, senão vejamos...
Partilhamos da banalidade.
E por ela nos esqueçamos...
Do quão frutífero é a vontade.
De querer, no mínimo querer...
De se ter o mínimo.
E sonhar com no máximo o impossível.
Naufragar no veio, cuspir o sal.
Partir da ausência.
E buscar o essencial.
No caos do improvável...
Ter o sonho dos bravos.
Que não somente buscam.
Mas tornam-se real.
Aquilo que não pode...
Aquilo que não pode...
Por que não poderia?
Qual a regra, a mais valia?
Por que não pode?
Qual o medo que explode?
Qual o medo que lhe implode?
Qual o fantasma que o sacode?
Qual o chicote que te orienta?
E que direciona todos os seus movimentos?
Buscai aquilo que te alimenta!
E não o porque do seu sofrimento.
Felipe Ribeiro
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