sábado, 14 de novembro de 2009

Conversas pra boi dormir, parte 6.

Ora muito bem, eu estava na biblioteca tentando estudar um pouco. Eu disse tentando, porque simplesmente não consegui. A biblioteca da universidade em que estudo consegue ser tão barulhenta quanto um canteiro de obras. Isso sem contar as pequenas distrações que simplesmente passam por seu campo de visão e olfato. Geralmente começa pelo olfato, um perfume suave, feminino, depois acaba no campo visual com o corpo que carrega esse perfume; o que significa geralmente um corpaço feminino. Enfim, necessita-se de muita disciplina e força de vontade para estudar num ambiente desses. Quando eu penso que enfim posso voltar e ler a página que estou tentando ler a mais de vinte minutos eis que me aparece aquele meu amigo que, ironicamente, me pergunta:
-E ai Frank, como é que tá?
-Uai cara... desse jeito que você tá vendo.
-Ixi, que aconteceu? Um acidente? - Sim, eu acho que já disse que ele era irônico, ou ao menos tentava ser.
-É... pois é.
-Mas e ai, quanto tempo!
-É... pois é.
-Que anda fazendo de bom?
-Ahh.. enfim, você sabe...
-Nada né?
-Justamente!
-Eu estou dando aula pra caramba, o cursinho esta me ocupando muito tempo... E ainda estou fazendo a monografia! - Não me lembro de ter perguntado nada a ele, mas tudo bem.
-Ahh é... Eu também estou fazendo a monografia. -Lembrei subitamente do que estava tentando fazer naquela biblioteca.
-Mas e ai Frank... Arrasando os corações?
-Heim?
-Perguntei se continua arrasando os corações das mulheres. - Eu já comentei que esse meu amigo é muito irônico?
-Ahh... Bom cara, duvido muito que as mulheres tem isso.
-Isso o que?
-Coração. Sabe como é, quando algum filho da puta que arrasa com o coração delas e elas ficam traumatizadas e se fecham para qualquer um que apareça na sua frente ou simplesmente quando a vaidade delas é tanta que não conseguem doar nada que só o seu corpo.
-Sei como é isso. Na verdade acho mesmo que o senhor poderia muito bem arrasar algum. Você é um sujeito bacana, inteligente, bom. - Outra vez a ironia. Fico pensando, se eu tivesse a competencia de ser ao menos um filho da puta eu não estaria sozinho hoje em dia. Mas, como sugere o meu amigo irônico, sou um homem bom, bacana, inteligente... Por isso estou sozinho? Que ironia.
-Pois é né... pois é. - Outra vez o foda-se.
-Bom grande, eu tenho que ir agora, bons estudos pra vc!
-Tá... valeu.
Na verdade não sei quem é mais ironico, se o meu amigo tentando me alegrar com mentiras que sei bem que não significam nada para a minha pessoa ou se sou eu que o considero ironico. Mas no fim das contas continuei a estudar... ironicamente.


Felipe Ribeiro

Um comentário:

Darlene Garcêz disse...

afinal de contas, quem é Frank?