quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pés molhados...

As águas molharam os pés do sujeito...
Assim que se fez as primeiras ondas...
Assim que ele jogou a primeira pedra...
Assim foi quando ele sentiu o fato incontrolável...
Óbvio e imutável...
Da lei da ação e reação...
Não sabia bem se aquela pedra era apenas uma pedra...
Talvez simboliza-se apenas o ato...
Que o fez jogar com raiva...
E sentir de leve as águas vindo lhe pedir por piedade...
Sob seus pés...
O que era aquilo senão uma voz?
O que era aquilo senão uma súplica?
Não saberia dizer, mas era...
E a pedra agora afundada, perdida...
Fazia-se lembrar pelas ondas...
O sujeito então entendeu...
Que ela agora só estava ali na lembrança...
Ela estaria condenada ao esquecimento...
Afundando no fundo do lago...
Ela só estava ali na lembrança...
Porque ele cometeu um ato...
Simples ato...
Quem quer sentir o susurro...
Quem quer ouvir a voz...
Quem quer sentir...
Tem de agir...
Ele enfim concluiu...
A pedra agora estava esquecida...
Mas os pés estavam molhados...
E estavam começando a ficar frios..
Enrrugados...
Saia do lago, ele pensou...
E vá se secar!
E assim o fez!
Sujando-os de terra...


Felipe Ribeiro

2 comentários:

Dinah Cardozo disse...

E a pedra? Droga, odeio a idéia de trazer esse poema para o cotidiano e pensar em quantas pedras existem em nossas vidas. Odeio a idéia de achar isso normal. Odeio não querer mudar isso e odeio o fato de todos sermos pedras em muitas ocasiões e nem estranharmos isso. Talvez tudo faça parte da vida... isso não me agrada, mas não farei nada pra mudar tal situação.

Lobo solitário e desdentado disse...

Não seria por isso que continua a sofrer?